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Ano 2021, em revisão...

Daniela Filipe Bento Daniela Filipe Bento Seguir 1 de janeiro de 2022 · 4 mins read
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O ano 2022 já começou, deixo para trás um ano de dificuldades, descidas e subidas, em consequência da saturação de um ano de pandemia. Se 2020 foi difícil, 2021 ganhou a passos largos.

Este foi um ano pouco ativo neste sítio (blog), mas começava por falar do primeiro 8 Março em confinamento.

“O meu mau estar prende-se com a prática. Para mim, feminismo não é uma imagem a ter quando se fala em inclusividade e em luta social. Para mim, feminismo é procurar abraçar a vivência das pessoas, das suas realidades, das suas histórias num tempo contínuo, num tempo que existe para além das manifestações e do visível. É também ele um apelo à subjetividade, ao interno, ao desafio das nossas contradições mais profundas.”

A 30 de Março marca-se o Dia Mundial da Doença Bipolar e, no dia 31 de Março, o Dia Internacional da Visibilidade Trans.

“Colocar ambos os dias na mesma linha do parágrafo, nada tem a ver com alguma relação existente entre ambos. Mas sim, a relação que ambos têm comigo: enquanto pessoa Bipolar e enquanto pessoa Trans Não-Binária. O desafio é não deixar que ambas se consumam mutuamente e que entendamos (eu entenda) de que sentires estou a falar. “

As dificuldades continuavam a mostrar a sua face, tornando os dias cada vez mais difíceis e complexos.

“O vazio preenche-me, o vazio conquista-me, o vazio prevalece. O vazio está aqui, profundo, encaixado nas minhas entranhas. O vazio está aqui, diluído, unido com as minhas células. O vazio está aqui, agora. Ocupa-me o corpo, dissolve-me a mente, corrompe-me a alma. Aqui, agora. Está.”

A tristeza e a melancolia começavam a tomar conta dos meus dias.

Queria não sentir cansaço, queria não sentir desmotivação nem desconcentração. Queria ter ideias, queria ter mais energia e vitalidade. No entanto, os anos ensinaram-me: não posso ter esse pouquinho, ainda que pense nisso.”

A propósito do Mês do Orgulho LGBTIQA+, decidi escrever sobre discriminação no trabalho.

No entanto, o que me traz a esta escrita é a necessidade de argumentar por umas políticas de inclusão mais radicais, mais efetivas e com mais garantias de segurança. Vou focar-me principalmente na esfera do trabalho.”

E, a propósito do Dia do Orgulho Não-Binárie escrevia.

“As histórias e os relatos de pessoas que vivem neste chapéu da não-binariedade são muito diversificados. Não há uma só forma de ser uma pessoa não-binária, há tantas quantas as pessoas que existem no mundo ou, até mais. “

Também, em Setembro falava de como um processo vivêncial caótico pode passar a um mais simples e calmo.

“Antigamente, as emoções eram intensas, muito intensas, mas de um modo destrutivo. Não aquelas emoções que te trazem alegria e cuidam do teu estar. Eram emoções que mexiam com os meus pilares basilares mal construídos durante o meu percurso de crescimento, deixando-me em progressivos e intensos saltos quânticos a cada momento. Podia estar aqui, mas também ali.

Falei também da continuação do estigma da saúde mental e como isso afeta a vida de imensas pessoas.

“Por fim, abres 5 minutos as redes sociais, o suficiente para ler o que não queres ler, uma pequena coisa, mas bem demonstrativa “doentes mentais são pessoas que não podem trabalhar e vivem sempre dependentes de outras pessoas”… Infelizmente estes comentários capacitistas circulam todos os dias a qualquer momento.

Durante este último ano também notei francas mudanças na estrutura da minha rede de proximidade, mudanças essas não muito positivas, mas a necessidade de dar um grito de atenção foi imensa.

“As minhas lágrimas derramadas pela solidão dão voz ao abandono, dão espaço à terceira voz. As minhas lágrimas derramadas pela solidão dão voz às injustiças, dão espaço à violência. Não quero chorar por lamentar quem sou, quero chorar de raiva por quem entende a inclusividade no discurso, entende a inclusividade no cuidado comunitário, entende a inclusividade nas palavras saudosas e no penso em ti. Não quero chorar por lamentar quem sou, quero chorar de raiva por aquilo que o mundo é.”

No fim, sinto que 2021 foi um ano de poucas decisões importantes, de pouco movimento e de saturação. O meu processo correu lentamente, a minha capacidade criativa foi-se desmantelando e a minha capacidade de ser espontânea também.

Espero um 2022 cheio de novas ações para reverter este estado de apatia e melancolia que 2021 me trouxe.

Artigos de 2021:

Feliz Ano 2022 e continuação de boas leituras,

Dani

Daniela Filipe Bento

Escrito por Daniela Filipe Bento Seguir

escreve sobre género, sexualidade, saúde mental e justiça social, activista anarco/transfeminista radical, engenheira e estudante de astrofísica