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    <title type="text">daniela filipe bento's website</title>
    <subtitle type="text">Blog de Dani Filipe Bento</subtitle>
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    <updated>2026-02-02T00:24:18+00:00</updated>
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        <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        <title type="html"><![CDATA[Ano 2025, em revisão...]]></title>
        <published>2026-01-01T20:00:00+00:00</published>
        
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            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        <content type="html">
            
            &lt;p&gt;Mais um ano, mais um ano. &lt;em&gt;Passou 2025 e já estamos em 2026&lt;/em&gt;. Acabava 2025 a escrever que queria um 2025 mais rico em diferentes dinâmicas de autocuidado e autopreservação. Chegado o primeiro dia do novo ano, &lt;strong&gt;sinto que cumpri&lt;/strong&gt;. Cumpri a visão de futuro a que me comprometi e que, adianto: &lt;strong&gt;quero continuar a me comprometer&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Foi um ano de decisões importantes, algumas mais estruturais que outras, assim como com níveis de profundidade diferentes&lt;/em&gt;. Por quanto, acabei o ano sorridente, acabei o ano com a certeza que fiz o melhor que podia. Entre tudo, a nostalgia, os quase 40 anos e a felicidade dão lugar a um espaço próprio de celebração, que quero deixar escrito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como sempre, escrevo este pequeno resumo do que foi o meu ano 2025 em artigos que escrevi.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Começo o ano do blogue apenas em março de 2025, com um artigo intitulado &lt;em&gt;“Adeus Meta, X e companhia…”&lt;/em&gt;, uma das minhas primeiras grandes decisões do ano: abandonar as redes sociais associadas à &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Meta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e iniciar um processo de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;De-Googling&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - ainda não acabei este processo, mas vai avançando:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Pergunto-me como será o futuro? Estarei eu mais excluída dos espaços? Acho que no princípio estarei, porém penso que é um preço justo a pagar por estar a deixar espaços de violência. Mas em consequência do que tem acontecido, é um passo que me é natural fazer.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Abril volto a escrever, &lt;strong&gt;sobre uns dias que me vi cair na tristeza&lt;/strong&gt;, um momento chave para as decisões que tomei nos meses seguintes… era o início de uma viragem no meu amor próprio.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Amor, não o amor romântico, mas o amor pelas coisas, pelas pessoas e pela vida. Perdi. Perdi esse amor, perdi essa vontade, perdi essa dinâmica e, tudo isto, deu lugar a medo, preocupação, isolamento, quebra de capacidade de fazer tarefas que normalmente gosto, perdi a vontade de estar com quem quer que seja em que registo for. Perdi amor. Amor de viver. Preciso de me apaixonar novamente, preciso apaixonar-me por mim, e novamente pelas pessoas. Preciso sair deste registo.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Foi em Maio que tive de parar uns dias. &lt;strong&gt;A vésperas de eleições legislativas&lt;/strong&gt;, a minha mente viajava de um lado para o outro, &lt;em&gt;dúvidas, medos, incertezas e preocupações&lt;/em&gt;, escrevia:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Porém, a nossa dor, a nossa dúvida e medo é o avultado produto de uma sociedade doente, podre, desvinculada da realidade. Uma sociedade apolítica que cospe a sua realidade em prol de fantasias como a ordem e o poder. As mesmas pessoas que violentam mulheres trans, que as matam de uma forma direta e/ou indireta, mas que são as primeiras a exotizar e a fetichizar o corpo trans-feminino, as primeiras a “nudar-nos” no mundo - por favor não.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Junho escrevo sobre a &lt;strong&gt;melancolia que existia pós eleições&lt;/strong&gt;, atento aos meus viés de pensamento e procuro ser crítica à informação que vou recebendo:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Atento ao que as pessoas dizem e interpreto as entrelinhas. Porque sim, também interpreto as minhas entrelinhas, o que verdadeiramente queria dizer ou o que verdadeiramente estou a sentir - nem por sorte, na televisão do comboio fala-se dos dados em viés que as próprias redes sociais e a inteligência artificial nos trazem. Também entendo os meus próprios viés e sei que os tenho. Não sou nem estou imune a esses processos. Porém não ser imune não pode servir como desculpa para não ter uma atitude crítica e questionar aquilo que se diz.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;No mesmo mês, desabafo sobre a &lt;strong&gt;violência que me é dirigida por ser uma pessoa trans-feminina&lt;/strong&gt;. Escrevia, de forma contundente sobre determinados momentos:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Em várias entrevistas que já dei em jornais públicos, já tive a minha morte desejada, já tive ameaças de morte, já tive pessoas a acusarem-me por ter uma saúde mental atípica… poderia continuar, mas é escusado… porém, também tenho a minha fotografia numa lista de terroristas LGBTI+… a visibilidade às vezes custa. E custa caro. Ontem quando saí à rua e ouvi aquelas gargalhadas “É homem!”, perguntei-me se aquelas pessoas me reconhecem de alguma imagem, se quero mesmo ter de passar por isto todos os dias e/ou se quero mesmo estar constantemente num lugar de ameaça, de exclusão e de violência.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Julho, sorria e era com um sorriso que escrevia. &lt;strong&gt;Parada, na praia, tranquila. Sorria&lt;/strong&gt;. Tinha decidido avançar com o meu processo cirúrgico, tinha decidido mudar de abordagem terapêutica, tinha decidido dar-me valor…&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Parar é importante. Sobretudo, parar sem sentir culpa por se parar. Parar sem estar a pensar nas mil e uma coisas que deveriam estar em curso, mas isso não é vida, é pedir exaustão ao futuro e eu sei o que é estar nesses lugares. Mas não quero mais estar aí… não quero e não posso. Há mudanças positivas na minha vida e é isso que é importante celebrar… e é isso que me permite sorrir. Olho para trás e vejo de onde vim e para onde vou, e não quero esquecer isso.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;A 5 de Agosto faço a minha cirurgia, &lt;strong&gt;foi um momento chave de viragem na minha auto percepção&lt;/strong&gt; e no entendimento que tenho de mim. Três dias depois, escrevia, feliz:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Estes dias têm sido calmos e tranquilos, a fazer a recuperação em casa, deixando-me descansar, dado que não posso fazer muitos esforços. Ainda tenho inchaços e ainda tenho algumas restrições de movimentos, mas no geral, penso que estou a recuperar bem. Bastante bem até, mas eu conheço-me e começo logo a querer fazer imensa coisa sem dar tempo de sarar bem o meu corpo, mas não poderá ser assim desta vez, tenho de deixar o meu corpo repousar, descansar e preparar-se para os próximos meses. Vai demorar um pouco até tudo ir ao sítio, mas faz parte.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Setembro ao ter estado em &lt;strong&gt;duas conferências sobre diversidade e sexualidade&lt;/strong&gt;, escrevo sobre quem neste mundo procura lutar por uma sociedade mais justa:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Nestes eventos fala-se de liberdade, fala-se de ser e existir, fala-se de medos, dúvidas e incertezas. Fala-se de dificuldades, de lutas e partilhas, fala-se de conhecimento e sobretudo, fala-se de pessoas e das suas individualidades, das suas necessidades e dos seus sonhos. Sobretudo, dos seus sonhos. Quando saio destes lugares, há sempre uma espécie de ressaca emocional, preciso estar sozinha, preciso absorver tudo o que aprendi e tudo o que vivencio desde o meu lugar. Desde o meu lugar pequeno, desde a minha própria realidade, das minhas dificuldades e também, dos meus sonhos.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Por último, já só em Dezembro volto a escrever… a escrever sobre a &lt;strong&gt;imaginação, sobre o Universo e como o vejo&lt;/strong&gt;…&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“O Universo segue o seu caminho, seguirá sempre o seu caminho, independentemente de tudo. Não há nada que possa dizer a uma estrela para parar de brilhar senão o seu próprio tempo de existir. Por outro lado, nós seguimos caminhos de entre encruzilhadas, podemos decidir parar, podemos decidir mudar o rumo da nossa (particular e pequena) vida neste planeta. Podemos decidir não destruir a humanidade (enquanto espécie e enquanto valor).”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Entre ter acabado uma &lt;strong&gt;Pós Graduação em Sexualidade Humana&lt;/strong&gt; pela &lt;strong&gt;Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa&lt;/strong&gt;, feito um curso de &lt;strong&gt;Liderança Transformadora e Inclusiva&lt;/strong&gt; pela &lt;strong&gt;Universidade de Ottawa&lt;/strong&gt;, ter feito - finalmente - o &lt;strong&gt;Certificado de Competências Pedagógicas (CCP)&lt;/strong&gt;, ter &lt;em&gt;concorrido&lt;/em&gt; para a &lt;strong&gt;Psicologia&lt;/strong&gt; na &lt;strong&gt;Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa&lt;/strong&gt;, voltado a estar &lt;strong&gt;mais presente nas saídas de astronomia&lt;/strong&gt;, voltar a ir à &lt;strong&gt;Astrofesta&lt;/strong&gt;, fazer uma &lt;strong&gt;cirurgia&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;conhecer&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;muitas pessoas interessantes&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;rever&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;pessoas que não via há muito tempo&lt;/strong&gt;, entre muitas outras coisas… foi um ano muito, mas muito rico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste sentido, espero que em 2026 se prometa com mais surpresas positivas, mais conquistas e boas decisões. Estarei aqui para navegar nos pilares da minha própria construção, na minha própria vida…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por um ano, por mais um ano saboroso, sorridente e carinhoso.&lt;/p&gt;

&lt;h3 id=&quot;artigos-de-2025&quot;&gt;Artigos de 2025:&lt;/h3&gt;
&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/e-se-os-avioes-nao-voassem//&quot;&gt;E se os aviões não voassem?&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/aprender-e-recusar/&quot;&gt;Aprender e Recusar!&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/10-anos-10-horas/&quot;&gt;10 anos e 10 horas&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/o-sol-e-a-arvore/&quot;&gt;O Sol e a Árvore&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/e-um-homem/&quot;&gt;É um homem!&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/partidas-chegadas-caminhos-paragens/&quot;&gt;Partidas e chegadas, caminhos e paragens&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/porque-o-discurso-tambem-fere/&quot;&gt;Porque o discurso também fere…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/um-primero-trimestre-para-nao-haver-outro/&quot;&gt;Um primeiro trimestre, para não haver outro…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/adeus-meta-x-e-companhia/&quot;&gt;Adeus Meta, X e companhia…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Feliz Ano 2026 e continuação de boas leituras,&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/ano-2025-em-revisao/&quot;&gt;Ano 2025, em revisão...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a January 01, 2026.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[E se os aviões não voassem?]]></title>
        <published>2025-12-23T19:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/e-se-os-avioes-nao-voassem/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20251223-universo.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;E se os aviões não voassem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;E se os carros não andassem ou os barcos flutuassem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Como seria o mundo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não é&lt;/em&gt; uma situação muito difícil de imaginar, dado que nem foi assim à tanto tempo que se inventaram os barcos, os carros ou os aviões. &lt;em&gt;Todos em épocas muito diferentes e a corresponder a necessidades muito diversas.&lt;/em&gt; Talvez o mundo hoje fosse muito diferente, ou não. Como seria o mundo quando o Sol era a única fonte de luz que nos iluminava? &lt;em&gt;Como seria o céu estrelado, das noites frias, das noites quentes? Como seriam os sons da noite?&lt;/em&gt; Não sei, é-me difícil recuar a um momento em que nada humano existia. Porém, &lt;strong&gt;consigo imaginar&lt;/strong&gt; uma coisa, &lt;em&gt;um céu sem rastos de avião, um horizonte sem casas e uma noite sem luzes apontadas para o céu&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Imaginar não é conhecer, mas apenas e só… imaginar.&lt;/strong&gt; Porém, foi a imaginação de muitas pessoas que, para o bem ou para o mal, nos trouxe até aqui. Hoje a vida não é como era. Não é como era há um ano, dez, cem, mil ou dez mil anos. &lt;strong&gt;Em pouco mais cinco potências de dez&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;chegamos facilmente ao início daquilo que foi uma viragem histórica, o nosso aparecimento.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;O Universo tem bastantes mais potências de dez&lt;/strong&gt;, o que implica muito tempo, uma escala de outra natureza. Não há aviões para o Universo, muito menos carros ou barcos. Porém, podemos imaginar… podemos imaginar &lt;em&gt;uma realidade onde viajamos pelo Universo de avião, pela Via Láctea de carro e pelo Grupo Local de barco&lt;/em&gt;. A nossa imaginação é poderosa, muito poderosa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi por gostar de &lt;em&gt;imaginar&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;pensar&lt;/em&gt; e de &lt;em&gt;conectar&lt;/em&gt; mundos que segui &lt;strong&gt;Matemática Aplicada&lt;/strong&gt; e, só depois, &lt;strong&gt;Astronomia e Astrofísica&lt;/strong&gt;. A física do mundo sempre me suscitou curiosidade, mas a física daquilo que nos é inacessível ainda me provoca mais interesse. &lt;em&gt;Porém&lt;/em&gt;, sinto que num mundo tão desigual, desproporcional, injusto e precário, o meu interesse por esta ciência se tem desvanecido. Não porque &lt;em&gt;deixou de ser interessante&lt;/em&gt;, mas porque a minha ingenuidade para com o mundo perdeu-se e em consequência, &lt;em&gt;não consigo olhar para o progresso da ciência da mesma maneira&lt;/em&gt;. Não que não acredite no que ciência nos tem permitido (como os aviões, os carros ou barcos), mas não consigo deixar de pensar naquilo que me é, neste momento, mais fundamental: &lt;em&gt;contribuir para garantir um mundo mais equitativo, igualitário, justo e equilibrado&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Enquanto vivo num &lt;strong&gt;mundo&lt;/strong&gt; que está &lt;strong&gt;viciado&lt;/strong&gt; no &lt;em&gt;capital&lt;/em&gt;, na &lt;em&gt;desinformação&lt;/em&gt; e no &lt;em&gt;pânico moral&lt;/em&gt;, não deixo de sentir uma certa vontade de parar de viajar pela mente e de apenas imaginar - &lt;em&gt;viajar leva-me a lugares difíceis, complexos e duros&lt;/em&gt;. Pergunto-me muitas vezes se a minha ingenuidade em ter interesse no inalcançável não seria só uma forma de fugir de um mundo que me era muito particular, concreto, sentido e pesado. A &lt;strong&gt;Astronomia&lt;/strong&gt; sempre me ajudou a colocar a realidade em perspectiva: &lt;em&gt;a nossa existência versus a do Universo&lt;/em&gt; - incluindo a minha própria vivência - &lt;em&gt;a vida versus a morte&lt;/em&gt;. Custa-me continuar a assistir à proliferação da desinformação, do incentivo ao ódio, da divisão para conquistar. Custa-me sentir impotência para combater tal mundo. &lt;strong&gt;Vou fazendo pouco, mas pouco não deixa de ser pouco. Pouco continuará a ser pouco.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Universo segue o seu caminho, seguirá sempre o seu caminho, independentemente de tudo. &lt;strong&gt;Não há nada que possa dizer a uma estrela para parar de brilhar senão o seu próprio tempo de existir&lt;/strong&gt;. Por outro lado, nós seguimos caminhos de entre encruzilhadas, podemos decidir parar, podemos decidir mudar o rumo da nossa (particular e pequena) vida neste planeta. &lt;strong&gt;Podemos decidir não destruir a humanidade (enquanto espécie e enquanto valor).&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste processo de reflexão, penso muitas vezes na nossa herança histórica e coletiva. &lt;em&gt;Desde que existimos, nas cinco potências de dez anos passadas…&lt;/em&gt; o que resta hoje do que era? Nos dias que correm, tentam, tentam a todo o custo retirar-nos dessa diversidade, dessa diferença e desse potencial. Fazem-nos esquecer da nossa memória coletiva, fazem-nos esquecer daquilo que já fomos, fazem-nos esquecer do futuro que ambicionamos.  &lt;em&gt;Não há sentimento que não tenha sido já sentido e simultaneamente há todos os sentimentos por sentir&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Somos pó das estrelas, mas também somos pó da nossa própria vida, somos pó das nossas histórias, somos pó da nossa imaginação&lt;/strong&gt;. Somos, apenas isso, somos, somos, somos - diferentes, diversos, potenciais em permanência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sim.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com muito carinho,&lt;br /&gt;
Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/esoastronomy/51161004371&quot;&gt;In a cosmic wonderland - European Southern Observatory&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/e-se-os-avioes-nao-voassem/&quot;&gt;E se os aviões não voassem?&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a December 23, 2025.&lt;/p&gt;
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        <id>https://www.danifbento.me/aprender-e-recusar</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Aprender e Recusar!]]></title>
        <published>2025-09-28T13:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/aprender-e-recusar/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250928-anarchaqueerflag.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Sentada num autocarro penso como quero começar este texto e até mesmo como continuá-lo. E pergunto-me se sei também como continuar. Hoje passei o dia no Porto, estive no &lt;strong&gt;Encontro Nacional da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica&lt;/strong&gt;. Há pouco mais de duas semanas estive em Hamburgo na sexta conferência da &lt;strong&gt;EPATH (European Professional Association for Trans Health)&lt;/strong&gt;. Foram &lt;em&gt;dois momentos importantes&lt;/em&gt; que marcaram o meu regresso às aprendizagens após um mês parada depois de uma cirurgia. Estes encontros, &lt;em&gt;apesar de positivos&lt;/em&gt;, deixam-me sempre com uma &lt;strong&gt;sensação agridoce difícil de explicar&lt;/strong&gt;. Não porque não seja importante  o que aprendo, as conexões que faço e com quem estou, mas sobretudo porque &lt;em&gt;sinto uma colisão muito grande com o mundo quando chego a casa&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nestes eventos fala-se de &lt;strong&gt;liberdade&lt;/strong&gt;, fala-se de &lt;strong&gt;ser e existir&lt;/strong&gt;, fala-se de &lt;strong&gt;medos, dúvidas e incertezas&lt;/strong&gt;. Fala-se de &lt;strong&gt;dificuldades, de lutas e partilhas&lt;/strong&gt;, fala-se de &lt;strong&gt;conhecimento&lt;/strong&gt; e sobretudo, fala-se de &lt;strong&gt;pessoas e das suas individualidades&lt;/strong&gt;, das suas &lt;strong&gt;necessidades e dos seus sonhos&lt;/strong&gt;. Sobretudo, dos seus sonhos. Quando saio destes lugares, há sempre uma espécie de ressaca emocional, &lt;em&gt;preciso estar sozinha, preciso absorver tudo o que aprendi e tudo o que vivencio desde o meu lugar&lt;/em&gt;. Desde o meu lugar pequeno, desde a minha própria realidade, das minhas dificuldades e também, dos meus sonhos. &lt;strong&gt;Falar de realidades dissidentes toca-me&lt;/strong&gt;, toca-me porque faço parte delas e estou com elas. A minha vida, nos últimos anos, tem-se guiado por isso. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Felizmente ou infelizmente, é um percurso em que me coloquei e em que me colocaram.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O autocarro vai cheio, ouço música, mas ouve-se as pessoas à minha volta… está escuro e por isso é difícil perceber quem é quem. &lt;em&gt;Porém, somos plenas desconhecidas, somos distantes, tão distantes como as cadeiras que nos separam, mas também como o mundo que nos separa&lt;/em&gt;. Talvez eu não saiba se estas pessoas estiveram no mesmo encontro que eu hoje, se não. Também não sei que outras interseccionalidades vivenciam, apenas sei-me colocar a mim, neste banco de autocarro, com um ecrã à frente em que escrevo… uma escrita sem parar e sem distar do meu momento de reflexão interna.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vi durante o dia (e dos dias passados), &lt;strong&gt;pessoas que vivem a sua vida a existir e a resistir&lt;/strong&gt;. Abordar temas da &lt;strong&gt;sexualidade&lt;/strong&gt; é um exercício &lt;strong&gt;difícil&lt;/strong&gt;, sempre foi, numa &lt;strong&gt;cultura com tanto viés&lt;/strong&gt; como a nossa. Estamos em 2025 e sinto que é hoje mais difícil do que há dois ou três anos. Em parte, sabemos o porquê. &lt;strong&gt;O discurso de ódio é uma realidade concreta do nosso dia a dia, é uma realidade concreta do meu dia a dia.&lt;/strong&gt; Já participei em muitas conferências onde falei, onde expus, onde contrapus. Já participei em muitos momentos de debate, de troca e sobretudo, também, de violência. Porquê? Porque &lt;strong&gt;não é o mesmo estar num debate a defender a minha própria existência do que estar num debate onde a vida que defendemos e/ou questionamos, não é a nossa&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Infelizmente este é o lugar da maioria das pessoas LGBTI+fóbicas&lt;/em&gt; - falam de um lugar externo a si e à sua vivência. Gostaria, muitas vezes, de que as coisas fossem diferentes, de por vezes não me sentir alvo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas sinto, às vezes sinto.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Mas sinto e muitas vezes sinto.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não consigo ficar indiferente&lt;/strong&gt; às notícias e aos comentários que se fazem. &lt;strong&gt;Não consigo estar nesse não lugar&lt;/strong&gt;. Não desejo esse não lugar, e não o desejo a ninguém. &lt;em&gt;O lugar da indiferença e da falta de humanidade para com a outra pessoa&lt;/em&gt;. O ataque cerrado que se tem feito a pessoas trans tem-me afetado, principalmente quando falamos, especificamente, em &lt;strong&gt;pessoas trans femininas&lt;/strong&gt;. Não posso dizer que às vezes não tenho medo. &lt;strong&gt;Pois eu sou e não quero parecer que não sou&lt;/strong&gt;. E por isso compreendo quando outras pessoas também se sentem afetadas de acordo com as suas realidades e os seus lugares de fala. O mundo é interseccional e não somos um ser isolado do mundo, somos muitas coisas, muitas representações de diversas realidades. Compreender isto parece fundamentalmente simples, mas, infelizmente, temos o resultado à vista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqui há uns dias, &lt;em&gt;estava a ver alguns vídeos de conversas onde participei&lt;/em&gt;, têm sido várias ao longo dos anos. Mas infelizmente &lt;strong&gt;evito sempre de as ver e/ou ouvir e/ou ler&lt;/strong&gt;. É rara a vez, sendo material que fica público, que não tenho uma parede de ódio destilado e refinado. É duro. &lt;strong&gt;Diriam-me “&lt;em&gt;não ligues&lt;/em&gt;“&lt;/strong&gt;, mas não é fácil. Isto causa efeitos nefastos na  nossa saúde mental e na nossa percepção do mundo. Obriga-me a &lt;em&gt;estar na defensiva a maioria do tempo, sem pausa, sem descanso, sem piedade&lt;/em&gt;. Mas a verdade é que &lt;strong&gt;me recuso a voltar para o armário&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;me recuso a estar nesse lugar&lt;/strong&gt;, mas talvez porque até hoje tenha conseguido - se calhar num futuro próximo ou longínquo não sei.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém, apesar do discurso de ódio que vejo por aí destilado na maioria dos artigos sobre temáticas LGBTI+, &lt;strong&gt;estes momentos dão-me esperança num mundo melhor&lt;/strong&gt;, saber que há mais pessoas a lutar nesta guerra contra a desinformação e contra o ódio. Saber que há mais pessoas atentas a este fato, atentas a esta manipulação dos media. &lt;em&gt;Já lá vai o tempo em que achava que era só ignorância, hoje, com alguma clareza acho que há imensas pessoas que se recusam a aprender e que continuam a proliferar discurso de ódio sem saberem sequer do que estão a falar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Com o advento das redes sociais, toda a gente tem opinião sobre tudo, toda a gente é perita sobre tudo.&lt;/strong&gt; Mesmo que isso vá contra efetivamente quem é especialista na área ou contra as pessoas que têm voz própria no assunto. É assim que a desinformação cresce, cresce e cresce. &lt;strong&gt;Seria muito ingénua se acreditasse que tudo isto é fruto de ignorância.&lt;/strong&gt; Sim, há pessoas que não entendem, nem nunca vão entender por mais que expliquemos…. não porque não sejam capazes, mas porque efetivamente não querem e preferem viver no seu mundo de abalroamento de outras pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Digo isto com alguma dificuldade, pois sempre quis acreditar nas pessoas&lt;/strong&gt;. Porém acreditar tem limites, limites que ainda que extensos, acabam. Não percebo como os canais de comunicação não atuam contra este atentado aos direitos humanos… se calhar até percebo, click bait, manter as audiências, ser destrutivo e controlado por uma camada política anti direitos humanos é verdadeiramente a razão. Por isso, só me resta afirmar com toda a certeza que me sinto optimista, mas o &lt;strong&gt;mundo precisa de uma revolução&lt;/strong&gt;, precisamos ir para a rua, &lt;strong&gt;precisamos continuar a ocupar espaços que nos foram sempre negados&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Deixo &lt;strong&gt;um abraço&lt;/strong&gt; a todas as &lt;strong&gt;pessoas que se vêem a braços com discursos de ódio&lt;/strong&gt;, para &lt;strong&gt;todas as vítimas de violência simbólica e física&lt;/strong&gt;, para todas as pessoas que continuam &lt;strong&gt;a lutar, ainda assim por um mundo melhor e mais justo&lt;/strong&gt;. Um abraço também para as nossas &lt;strong&gt;pessoas aliadas&lt;/strong&gt; que acima de tudo também estão ao nosso lado e que também querem um mundo mais justo e  que querem estar do lado dos direitos humanos.
Por outro lado, &lt;strong&gt;um sentimento de pena&lt;/strong&gt; por todas aquelas pessoas &lt;strong&gt;que destilam ódio&lt;/strong&gt;, por todas aquelas que &lt;strong&gt;enchem as caixas de comentários com violência e desinformação&lt;/strong&gt;, por todas aquelas que não tem a menor intenção de entender ou ter um discurso sincero e receptivo. Por todas aquelas que acham que nós estamos a causar o declínio de sociedade, por todas aquelas e mais algumas &lt;strong&gt;que me nomearam numa lista de terroristas&lt;/strong&gt; e que procuram perturbar a vida de outras pessoas. &lt;strong&gt;Pena&lt;/strong&gt; por saber que estas pessoas &lt;strong&gt;não conseguem ir mais longe&lt;/strong&gt; do que isto, nem vão conseguir. Pena porque o mundo evolui e há pessoas que evoluem com ele, há outras que ficam para trás….&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um &lt;strong&gt;sincero agradecimento&lt;/strong&gt; a todas aquelas pessoas que fazem o mundo andar para a frente, que procuram um diálogo construtivo. Por todas aquelas que se mostram no aqui e agora, num discurso de inclusão e honestidade. Para todas essas pessoas, o meu profundo respeito. São essas as pessoas que quero manter na minha vida, apenas e só.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque o discurso de ódio, a desinformação e as políticas e retóricas anti direitos humanos não podem continuar a ocupar o espaço mediático, temos de nos juntar e procurar soluções comuns, procurar comunidade e retornar a coletividade.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com muito amor,&lt;br /&gt;
Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: Bandeira Anarco Queer&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/aprender-e-recusar/&quot;&gt;Aprender e Recusar!&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a September 28, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[10 anos e 10 horas]]></title>
        <published>2025-08-08T18:00:00+01:00</published>
        
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            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/10-anos-10-horas/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250808-pulseira.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Era 5 de Agosto. Eram 6h30 da manhã.&lt;/strong&gt; Dormi pouco e pouco dormi. Não estava ansiosa, muito pelo contrário… &lt;em&gt;calma, decidida, feliz&lt;/em&gt;. Sorria para mim, sorria sem medo e sem receio. Olhava-me e gostava um pouco mais de mim, estava a oferecer-me &lt;em&gt;uma das melhores prendas de aniversário que poderia dar a mim mesma nos últimos 10 anos&lt;/em&gt;. Foram 10 anos,  10 anos a lutar por este momento… foi preciso desistir e procurar outras soluções. Foi preciso abandonar o &lt;strong&gt;Sistema Nacional de Saúde (SNS)&lt;/strong&gt; e procurar uma solução para mim: apenas por mim. Eram 7h30 da manhã, estava no hospital. &lt;em&gt;Tudo se passou devagar, mas simultaneamente muito rápido&lt;/em&gt;. Talvez, talvez o sorriso que transmitia não me permitia sentir o tempo da mesma forma. Mas assim foi.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fez no dia 22 de Julho, &lt;em&gt;10 anos que recebi o relatório médico&lt;/em&gt; que me permitia &lt;em&gt;aceder à lei de identidade de género&lt;/em&gt; que existia na altura (de 2011), foi também nesse momento que tive o &lt;em&gt;primeiro relatório para poder iniciar hormonoterapia de reposição&lt;/em&gt;. Durante anos fui &lt;strong&gt;assistindo a mudanças no meu corpo&lt;/strong&gt; das quais me faziam sentir mais identificada comigo, uma sensação de ir &lt;strong&gt;ficando mais sintónica com o meu corpo&lt;/strong&gt; e aos poucos ir reconstruindo a minha realidade e a minha vida em cima destas novas mudanças. Reconhecer-me em quem eu sou, mudou completamente a minha vida e principalmente o rumo que ela estava a tomar. Olhos de alegria, sorrisos de presença e uma maior estabilidade emocional - foram elementos chave no meu processo. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ia-me encontrando e esse era um processo bonito, bastante bonito de sentir e de internamente assistir.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mais tarde, após alguns anos de reposição hormonal, &lt;em&gt;quis avançar&lt;/em&gt; para aquilo que já desejava há muitos anos: &lt;strong&gt;fazer um ajuste suplementar aos efeitos da hormonização no meu corpo&lt;/strong&gt;. Era algo que sonhava desde criança, que sempre desejei e que com as alterações corporais devido às hormonas acentuou-se a confirmação de que queria fazer cirurgicamente um ajuste ao meu peito, materializando um sonho de décadas de uma vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No dia &lt;strong&gt;16 de setembro 2020&lt;/strong&gt; vou a uma consulta no &lt;strong&gt;Hospital de Coimbra&lt;/strong&gt;, na &lt;strong&gt;Unidade Reconstrutiva Génito-Urinária e Sexual (URGUS)&lt;/strong&gt; (à altura, a unidade de referência no &lt;strong&gt;SNS&lt;/strong&gt; para cirurgias a pessoas trans), mas acabei a sair de lá &lt;strong&gt;&lt;em&gt;bastante desiludida, frustrada e triste&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;… foi como nasceu este texto &lt;a href=&quot;/quando-a-estranheza-te-impede-de-ser-monstra/&quot;&gt;“Quando a estranheza te impede de ser Monstra”&lt;/a&gt;. Durante o ano seguinte &lt;strong&gt;fiz queixa&lt;/strong&gt;, voltei à mesma consulta para ter o &lt;strong&gt;mesmo resultado&lt;/strong&gt; - um mau trato da parte da &lt;strong&gt;URGUS&lt;/strong&gt; que me deixou bastante desapontada. Sigo as consultas de endocrinologia no &lt;strong&gt;Hospital Santa Maria (HSM)&lt;/strong&gt;, em Lisboa, e tento aceder uma mamoplastia de aumento noutro hospital do SNS, mas durante anos foi-me barrado esse acesso, com múltiplos argumentos: &lt;em&gt;desde a não necessidade, a eficácia das hormonas, os custos e até mesmo por injustiça com pessoas cis. Falou-se de tudo, menos no essencial.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Desde essa altura, apesar das minhas tentativas falhadas no &lt;strong&gt;HSM&lt;/strong&gt;, continuei a exercer pressão, enquanto simultaneamente fazia todo um outro conjunto de trabalhos, dada a &lt;em&gt;chegada da lei que assegurava a autodeterminação, em 2018&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Coloquei-me em segundo plano&lt;/strong&gt;, e investi tudo o que podia em luta política e social. Depois de vários anos, já com 38, &lt;strong&gt;era raro o ano que não tinha quedas abruptas de desconexão e desinvestimento no meu corpo&lt;/strong&gt;… não me sentia na totalidade bem com ele… nunca o detestei ou odiei, mas sentia precisar de alguns ajustes. Não era como me via e sentia. Foi já com quase 39 anos que &lt;strong&gt;acabei a desistir do SNS&lt;/strong&gt; e a procurar uma solução no privado. &lt;strong&gt;Contra todos os meus princípios e valores políticos&lt;/strong&gt; de quem defende um SNS para todas as pessoas, foi no privado que consegui ver uma solução para conseguir esta desejada estabilidade que não tinha. Infelizmente foi assim, &lt;em&gt;felizmente encontrei pessoas que me acompanharam de uma forma muito positiva e cuidada&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eram &lt;strong&gt;aproximadamente 9h e estava a entrar para o bloco&lt;/strong&gt;, calma e tranquila. Bastante calma e tranquila. Repito: tudo foi lento, mas bastante rápido em simultâneo. Num momento estava a vestir a roupinha do hospital, como noutro já estava na maca para me ligarem todos os instrumentos e, logo noutro momento na sala de operações com uma série de pessoas a falar comigo, a falar entre si e a acabar de ligar o que faltava. &lt;em&gt;Nunca tinha sido submetida a uma cirurgia, nunca soube o que era uma anestesia&lt;/em&gt;, mas não esqueço, a última frase que ouvi foi &lt;em&gt;“vou-te dar uma dose de caipirinha e ficas bem mais relaxada”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;em 2 minutos adormeci&lt;/strong&gt;, sem sonhos e só &lt;strong&gt;acordei já às 11h30 no recobro de uma cirurgia que correu bem&lt;/strong&gt;. Estava tão feliz que nem dei pelas dores, por mim já saía dali a andar para todo o lado, mas não podia. Ainda fui para o quarto e lá fiquei umas horas até ter alta. Terça ao fim da tarde &lt;strong&gt;já estava em casa&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;cerca de 10 horas depois de ter chegado ao hospital&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estes &lt;em&gt;dias têm sido calmos e tranquilos&lt;/em&gt;, a fazer a recuperação em casa, deixando-me descansar, dado que não posso fazer muitos esforços. Ainda tenho inchaços e ainda tenho algumas restrições de movimentos, mas no geral, penso que estou a recuperar bem. Bastante bem até, mas eu &lt;em&gt;conheço-me e começo logo a querer fazer imensa coisa sem dar tempo de sarar bem o meu corpo&lt;/em&gt;, mas não poderá ser assim desta vez, tenho de deixar o meu corpo repousar, descansar e preparar-se para os próximos meses. Vai demorar um pouco até tudo ir ao sítio, mas faz parte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estou feliz e sorridente&lt;/strong&gt;. Acho que isso foi muito evidente nestas últimas semanas. Repito: tudo foi rápido, mas tudo demorou uma eternidade. &lt;em&gt;Foram 10 anos de luta para chegar aqui. A um lugar onde consigo me projetar no futuro, onde consigo me imaginar e sonhar&lt;/em&gt;. Porém, vou continuar a lutar, a fazer incidência política… &lt;em&gt;aceder a uma cirurgia que nos trás tanto valor na nossa vida não pode ser restrito a quem pode pagar, não é justo, não é humano&lt;/em&gt;. Sempre acreditei num &lt;strong&gt;SNS&lt;/strong&gt; que existisse para todas as pessoas e será para isso que continuarei a lutar, que continuarei a estar presente. Pois quero acreditar que estas mudanças estruturais vão ser possíveis, tão possíveis quanto são necessárias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque o direito e acesso ao corpo é um um princípio fundamental,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;Porque a autodeterminação é um direito essencial&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Porque existir é basilar na nossa vida&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: Daniela Bento - Pulseira de Ambulatório&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/10-anos-10-horas/&quot;&gt;10 anos e 10 horas&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a August 08, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[O Sol e a Árvore]]></title>
        <published>2025-07-04T21:00:00+01:00</published>
        
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            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/o-sol-e-a-arvore/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250704-praia.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O dia está nublado&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;faz uma brisa fresca e o Sol espreita de vez&lt;/strong&gt;… &lt;strong&gt;a vez&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Tímido&lt;/em&gt;. Talvez a timidez seja parte deste &lt;em&gt;processo estranho e complexo que é a Natureza&lt;/em&gt;. Um mundo de diversidade, de diferenças e unicidades. Talvez &lt;strong&gt;ser uma pessoa humana na sua individualidade&lt;/strong&gt; é das coisas &lt;strong&gt;mais singulares&lt;/strong&gt; que conheço, mas também,  das &lt;strong&gt;mais belas&lt;/strong&gt;. Penso que a nossa diversidade, faz bem ao mundo. Tratar o mundo de forma contrária a isto: hegemonias e generalizações, são passos dados para irmos contra o nosso próprio e autêntico &lt;em&gt;self&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje estava na praia e deixei-me ficar, singularmente, sentada na areia, a olhar para o oceano&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Sorria&lt;/strong&gt;, sorria porque acredito fazer parte dessa parte que se orgulha da diversidade. &lt;strong&gt;Sorria&lt;/strong&gt;, porque acredito que as pessoas existem todas em potencial e em diversidade, &lt;em&gt;para onde isto tende, já são outras reflexões - mais complicadas até&lt;/em&gt;. Porém, não gosto de deixar de acreditar que um dia, poderemos usufruir em sociedade de um mundo melhor e mais rico, justo e transversalmente mais representativo. Acredito e vou continuar a acreditar. &lt;em&gt;Ingenuidade ou não, acho que  devo seguir os meus princípios&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sorrio&lt;/strong&gt;. E cada vez que sorrio, menos me lembro do que quero escrever nestas linhas. Fico apenas concentrada no meu… sorriso. Olho os pequenos, dormem, cada um no seu sítio. Olho a janela, o sol vai-se pondo e a luz vai escasseando. &lt;em&gt;Olho para dentro de mim própria, há um sentir em silêncio que estou a gostar&lt;/em&gt;, que estou a abraçar e que estou a deixar existir. Faz-me bem, faz-me muito bem. &lt;em&gt;Eu preciso de momentos de retirada, de introspecção e silenciosos&lt;/em&gt; depois de estar em espaços com muitas pessoas e muitos estímulos. Preciso, mas já aprendi que posso dar-me o que preciso, não tem mal e nem é problemático… é só isso: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;reduzir a carga sensorial antes de voltar a trabalhar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Por isso escolhi o Domingo como dia de pausa, como o dia em que o trabalho é palavra banida do meu léxico e do meu dicionário&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Parar é importante.&lt;/strong&gt; Sobretudo, parar sem sentir culpa por se parar. Parar sem estar a pensar nas mil e uma coisas que deveriam estar em curso, mas isso não é vida, é pedir exaustão ao futuro e eu sei o que é estar nesses lugares. Mas não quero mais estar aí… não quero e não posso. Há mudanças positivas na minha vida e é isso que é importante celebrar…  e é isso que me permite sorrir. &lt;em&gt;Olho para trás e vejo de onde vim e para onde vou, e não quero esquecer isso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estou calma e tranquila. Respiro fundo, suspiro.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fecho os olhos e adormeço.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Volto a acordar no dia seguinte e sento-me novamente com o som das teclas a serem pressionadas. &lt;em&gt;Procuro encontrar-me no texto que deixei para trás.&lt;/em&gt; Textos a dois dias são comuns no meu dia a dia, &lt;em&gt;entre escrever e descansar, o tempo flutua entre o real e o sonho&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O tempo continua com nuvens, mas o céu hoje desperta mais algum Sol. &lt;strong&gt;Reencontrei-me e agora recrio-me no texto que comecei a escrever ontem ao fim do dia.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os últimos meses foram cheios de &lt;strong&gt;alterações de humor&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;mudanças de energia&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;afastamento social&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;dificuldades em executar quaisquer tarefas&lt;/strong&gt;. Hoje, hoje mesmo, estou noutro lugar. O meu humor está mais estável, a minha energia subiu, tenho socializado um pouco mais e tenho conseguido executar algumas tarefas. Ter oscilações de humor acutilantes não é fácil, mexe com a minha interação social e capacidade de me exprimir, mexe com a minha capacidade de execução e de sentir. Por quanto, acrescenta a isso falta de energia por diversos fatores, físicos e psicológicos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estou calma e tranquila. Respiro fundo, suspiro.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Semicerro os olhos e observo as árvores que brotam para a minha varanda.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Claramente é Verão, o Sol até tarde, as folhas verdes e as flores amarelas&lt;/em&gt;. As nuvens vão-se dissipando. Um pouco como as nuvens que vão circulando na minha mente, dissipando. A cada dia, tudo um pouco mais azul céu. Acredito que, de certa forma, as minhas características todas conferem-me alguma complexidade, não no sentido de ser especial, mas no sentido de ter formas de estar que em si, são complexas, limítrofes e difíceis. &lt;em&gt;Não sinto que seja de todo uma pessoa de percurso fácil, mas também é esse percurso, essa história (ou pelo menos a narrativa que tenho) e essa complexidade que me trouxeram até onde estou hoje&lt;/em&gt;. Há uns anos não acreditaria estar neste lugar, há uns anos &lt;strong&gt;não acreditaria que poderia vir a poder acreditar em mim&lt;/strong&gt; ou ter a possibilidade de ser menos crítica comigo mesma. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hoje em dia, ainda o sou, mas de uma forma diferente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Mais saudável, mais segura e mais positiva. Há momentos e momentos, mas no geral, penso que estou neste lugar de menos conflito interior.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Há umas semanas o meu corpo estava desconectado de mim&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, não estava sintónica com ele… o meu corpo e o meu &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; estavam de costas viradas, zangados um com o outro. O meu corpo a expressar as suas palavras, as suas vivências, o seu estar… por outro lado, o meu &lt;em&gt;self&lt;/em&gt;, a fazer-me caminhar sem ele, o corpo, puxando-me pela autocrítica, sabotando as minhas próprias vivências. &lt;strong&gt;A estabilidade para mim é o caos e o caos a estabilidade.&lt;/strong&gt; E &lt;strong&gt;é essa estabilidade, que tanto saboto, que me leva ao caos e a reafirmar a minha própria sabotagem&lt;/strong&gt;. Mas não deixa de ser um processo contínuo, lento e trabalhoso. &lt;em&gt;Diminuir este conflito, diminuir este estar fora de páginas do papel&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A semana passada falei de insultos e outras violências. Hoje, quero falar do “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;”. O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” como peça fundamental da &lt;strong&gt;revolução&lt;/strong&gt;, o “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” como resistência e como forma de &lt;strong&gt;contrariar&lt;/strong&gt; o propósito do próprio insulto. O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” é como uma &lt;strong&gt;entidade abstrata&lt;/strong&gt; que, tal como a apropriação do insulto, nos dá ferramentas. O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” é falar no &lt;strong&gt;vazio de ideias pré-concebidas&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;vazio de assunções&lt;/strong&gt;. O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” é permitir às pessoas serem aquilo que elas são, pelo que são e pelo que querem ser. O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” é o curso da &lt;strong&gt;autodeterminação&lt;/strong&gt;. É sem margem de dúvidas a capacidade de estar no &lt;em&gt;mundo como uma árvore e o Sol, numa dança diária, contínua, lírica e tranquila&lt;/em&gt;… O “&lt;em&gt;desinsulto&lt;/em&gt;” é assim a minha arma, a minha forma de desfazer o insulto - deixando as pessoas serem, simplesmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quero acreditar que com os dias&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Sol vai continuar a dançar e a árvore também&lt;/strong&gt;, numa &lt;strong&gt;simbiose perfeita entre a luz e a terra&lt;/strong&gt;.  Os dias começam agora a ficar mais pequenos, mas o Sol estará lá sempre… até que um dia, se esgote. &lt;em&gt;Porém, apesar da história e da complexidade, o Sol nunca ficará de costas com a vida, o Sol “desinsulta” a vida e a vida “desinsulta” o Sol harmoniosamente&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque o sol é o Sol e eu, apenas eu,&lt;br /&gt;
Aqui deixo,&lt;br /&gt;
Aqui pertenço,&lt;br /&gt;
Aqui sinto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;PS: Artigo escrito a 22 de Junho, 2025&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: Daniela Bento - Praia do Meco&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/o-sol-e-a-arvore/&quot;&gt;O Sol e a Árvore&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a July 04, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[É um homem!]]></title>
        <published>2025-06-14T20:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/e-um-homem/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250614-relogio.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Eram 23h30, saía de casa para me divertir, dançar e ouvir um pouco de música alternativa - &lt;em&gt;já não saía à noite há algum tempo&lt;/em&gt;. Não tenho tido disponibilidade de tempo nem mental para estar em aglomerados de pessoas, para socializar e para conseguir ter iniciativa para colocar um pé fora de casa à noite. Mas ontem decidi que haveria de sair. E como decidi que haveria de sair, decidi também, ao fim de longos meses, arranjar os meus corpetes que estavam à espera de atilhos novos à imenso tempo. &lt;strong&gt;Tinha um vestido dentro do estilo Steampunk e decidi que era o ideal para esta noite&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;metal, folk, …&lt;/em&gt; era a combinação ideal. E assim foi. Preparei-me e saí. Quando atravessava a estrada, passa um camião com uma série de indivíduos que leio como homens cis, que olharam para mim e gritaram &lt;strong&gt;“É um homem!”&lt;/strong&gt; e ouviu-se uma &lt;strong&gt;grande gargalhada&lt;/strong&gt; de todos dentro do camião. &lt;em&gt;Não foi uma boa maneira de começar a noite.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Confesso que tem sido cada vez mais raro ser &lt;em&gt;misgendered&lt;/em&gt; no meu dia a dia, mas quando isso acontece e, principalmente quando acontece desta maneira (e dado o nosso contexto político atual), dá-me alguns frios na coluna. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nunca sei o que esperar destes momentos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O medo não me assalta, mas atinge-me um sentimento de &lt;strong&gt;desilusão&lt;/strong&gt; pela sociedade em que vivemos agora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na &lt;strong&gt;História&lt;/strong&gt; já passamos vários &lt;strong&gt;momentos difíceis, muito difíceis&lt;/strong&gt;. Onde outras pessoas antes de mim, estiveram no mesmo lugar de crítica que tenho hoje, mas submetidas a condições ainda piores. &lt;strong&gt;Porém, parece que não aprendemos nada com o tempo.&lt;/strong&gt; Estamos em 2025, e ainda é divertido insultar alguém pela janela de um camião com gritos na via pública. Estamos em 2025 e ainda é comum seguirmos o &lt;em&gt;script&lt;/em&gt; da vida sem questionar, sem criticar e sem subverter. Dá-me pena (e pena de uma forma negativa), que estas pessoas percam mais tempo a fazer um grito de ofensa, que a aprender sobre diversidade. Dá-me pena falar-se da &lt;em&gt;liberdade de expressão&lt;/em&gt; quando &lt;em&gt;convenientemente convém&lt;/em&gt; (faço o pleonasmo), quando tomam por alvo &lt;strong&gt;pessoas que já são socialmente vulnerabilizadas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estamos em 2025.&lt;br /&gt;
Estamos em 2025 e a &lt;strong&gt;informação abunda&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;
Estamos em 2025 e a &lt;strong&gt;visibilidade cresce&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estamos em 2025 e vemos cada vez &lt;strong&gt;mais jovens&lt;/strong&gt; a deixar-se levar por &lt;strong&gt;discursos a-críticos&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;dogmáticos&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;falaciosos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;
Estamos em 2025 e assistimos a uma &lt;strong&gt;sociedade&lt;/strong&gt; que se torna &lt;strong&gt;mais miserável&lt;/strong&gt; a cada decisão que toma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A sociedade performa, eu também performo.&lt;/strong&gt; Todas as pessoas performam regras e contra-regras na sociedade em que vivem. &lt;em&gt;Todas as pessoas de alguma forma subvertem alguma regra social&lt;/em&gt;. No entanto, há &lt;em&gt;idiotas&lt;/em&gt; e há &lt;em&gt;pessoas que vêm na subversão da outra pessoa potencialidade para desfazer e desconstruir ideias&lt;/em&gt; pré feitas e preconceitos. As regras sociais &lt;strong&gt;não são ditadas&lt;/strong&gt; por elementos &lt;strong&gt;biológicos&lt;/strong&gt; e/ou da &lt;strong&gt;natureza&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;per si&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, mas por &lt;em&gt;normalização de comportamentos, códigos e condutas sociais&lt;/em&gt;. Aprender em comum é um bem subaproveitado nos dias de hoje.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Há uns anos escrevi sobre como fui &lt;strong&gt;vítima de assédio no trabalho&lt;/strong&gt; (&lt;a href=&quot;https://danifbento.me/a-violencia-que-nos-impregna/&quot;&gt;A violência que nos impregna&lt;/a&gt;), sobre as perguntas que me faziam, sobre o lugar em que me colocaram muitas vezes. Tenho escrito sobre &lt;strong&gt;algumas violências&lt;/strong&gt; (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/dias-contra-estigma-pela-visibilidade/&quot;&gt;Dias contra o estigma e pela visibilidade&lt;/a&gt;) a que tenho sido sujeita nos últimos anos, principalmente &lt;strong&gt;depois de me afirmar enquanto mulher e enquanto pessoa não-binária&lt;/strong&gt;. Pergunto-me, é mesmo necessário ter de viver violência para se existir na nossa forma mais completa? Porque não é a nossa descoberta pessoal, o nosso entendimento sobre o nosso eu, a nossa subversão, a nossa crítica e posicionamento uma forma de estimular a sociedade a contestar regras seculares que em nada beneficia alguém? &lt;strong&gt;Porque não simplesmente… viver.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Porque temos de fazer com que a vida seja um ato de resistência e de sobrevivência diária?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Conseguimos ir ao espaço, conseguimos explorar planetas, conseguimos prever acontecimentos astronómicos, conseguimos curar muitas doenças por mais complicadas que sejam, conseguimos explorar o fundo do oceano e conseguimos comunicar a velocidades que nunca pensamos. Porque continua a ser tão difícil quebrar uma ideia tão errónea como &lt;strong&gt;caixas estanques&lt;/strong&gt; onde se colocam as pessoas e &lt;strong&gt;onde se lhes colocam amarras para nunca saírem&lt;/strong&gt;?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Questiono-me muitas vezes…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O alerta constante passou a fazer parte da minha vida, como estou, como me apresento, como falo, como escrevo, onde saio, por onde saio, com quem saio, de que forma vivo as minhas relações… pois tudo pode se pretexto para uma dose de violência indesejada, uma dose de violência que não merecemos… e não, &lt;strong&gt;a violência não existe só de forma física&lt;/strong&gt;. A violência toma muitas formas, desde a invisibilidade, ao insulto, à recusa em poder arrendar casa, à recusa em poder ter um trabalho, ao abandono da família e das amizades próximas,… poderia continuar a escrever, mas enfim…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em &lt;strong&gt;várias entrevistas&lt;/strong&gt; que já dei em jornais públicos, já tive a &lt;strong&gt;minha morte desejada&lt;/strong&gt;, já tive &lt;strong&gt;ameaças de morte&lt;/strong&gt;, já tive pessoas a &lt;strong&gt;acusarem-me por ter uma saúde mental atípica&lt;/strong&gt;… poderia continuar, mas é escusado… porém, &lt;strong&gt;também tenho a minha fotografia numa lista de terroristas LGBTI+&lt;/strong&gt;… a visibilidade às vezes custa. E custa caro. Ontem quando saí à rua e ouvi aquelas gargalhadas “É homem!”, &lt;strong&gt;perguntei-me&lt;/strong&gt; se aquelas pessoas &lt;em&gt;me reconhecem de alguma imagem&lt;/em&gt;, se quero mesmo &lt;em&gt;ter de passar por isto&lt;/em&gt; todos os dias e/ou se quero mesmo &lt;em&gt;estar constantemente num lugar de ameaça, de exclusão e de violência&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O mundo não deveria ser assim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Contudo, para &lt;strong&gt;finalizar numa nota positiva&lt;/strong&gt;, cheguei ao bar e as pessoas que me conhecem &lt;strong&gt;receberam-me calorosamente&lt;/strong&gt;. Com um &lt;strong&gt;sorriso&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;muitos cumprimentos&lt;/strong&gt;, felizes de eu estar de volta ao espaço. Puxando pela minha autoestima que vinha abalada, puxando pelas minhas qualidades e pelo meu sorriso em estar viva e ter conseguido enfrentar mais um dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No fim, &lt;strong&gt;é por estas pessoas que continuo a lutar e é por estas pessoas que vale a pena lutar.&lt;/strong&gt; Aquelas que mesmo não vivenciando o mesmo que eu, sabem estar, sabem empoderar, sabem fazer o dia mais feliz a alguém. São estas pessoas que vale a pena acolher na nossa rede e sorrir de volta. É por isto, que a minha noite, apesar de ter começado em questionamento, acabou com um fortalecimento de quem eu sou e do caminho que estou a fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É por estas pessoas que vale.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;É por estas pessoas que vale o meu amor e carinho.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Num mês tão importante quanto este, o &lt;strong&gt;orgulho opõe-se à vergonha de estar no silêncio, de não ser visível e de nos faltar constantemente pares&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: Daniela Bento - Relógio Steampunk&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/e-um-homem/&quot;&gt;É um homem!&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a June 14, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Partidas e chegadas, caminhos e paragens]]></title>
        <published>2025-06-01T10:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
            <uri>https://www.danifbento.me/</uri>
        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/partidas-chegadas-caminhos-paragens/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250601-comboios.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Vou no comboio, são 21h, saí há pouco tempo do Porto. &lt;em&gt;Olho a janela e vejo o sol a pôr-se de um lado, vejo as luzes das cidades do outro.&lt;/em&gt; Ainda é dia, mas a noite está a chegar. &lt;strong&gt;Sigo o caminho, acelero e desacelero, percorro quilómetros até que paro… para voltar a arrancar outra vez.&lt;/strong&gt; Mas vou, vou sempre, de encontro ao meu destino, parto para chegar. Os carros vão passando e nós com mais velocidade do que eles. &lt;strong&gt;Caminhamos. Não paramos.&lt;/strong&gt; As luzes das casas cintilam como estrelas no céu, mas na terra. A minha voz ecoa por entre estas palavras. &lt;em&gt;Foram dois dias de socialização intensa, a bateria social está quase descarregada&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Mas ainda dá. Ainda resta e ainda vai sobrar&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje é terça, dois dias depois de umas eleições que tomaram conta da minha viagem de vinda para o Porto. Depois de ter votado pela manhã, só me restava esperar pela noite, não podíamos fazer mais nada… os dados foram lançados, só precisávamos de esperar pararem, onde pararam. &lt;em&gt;Confesso, apesar do meu normal optimismo, nesta situação em particular, esperava este resultado. Disse para mim várias vezes, vai ser mau, só falta saber o quanto mau vai ser&lt;/em&gt;. E assim se cumpriu. E não, não sou eu que tenho uma habilidade especial para adivinhar estas coisas. &lt;strong&gt;É a sociedade, é esta sociedade que tem uma habilidade de se mostrar cada vez mais num fosso, contaminada e dilacerada por quem quer aquilo que não é bom, para quem é bom.&lt;/strong&gt; Há pessoas questionáveis em todos os sectores da sociedade, mas o que aconteceu &lt;em&gt;não é questionável, é deplorável&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sinto, sinto que caminho. E como nestes dias tenho melhorado o meu estado, também a minha capacidade de resposta está muito diferente. &lt;strong&gt;Não me sinto totalmente apática, não me sinto totalmente desconectada&lt;/strong&gt;, senão seriam mais alguns dias a comer com sabor a papel. Mas como não estou já nesse lugar de apatia total, nem de desconexão total, há sabores que vou conseguindo distinguir e nesse sentido, também a interação social está noutro lugar. Um lugar que não posso esquecer e que, pessoalmente, não posso abandonar. Durante os últimos dias, talvez por estar em contextos mais específicos, o tom era o mesmo. &lt;strong&gt;Um tom melancólico, um tom de quem vai em frente, mesmo no cansaço, mas que na realidade, só queria um período de pausa. É nessa ambiguidade que sinto as pessoas com quem estive durante os últimos dias.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Atento ao que as pessoas dizem e interpreto as entrelinhas&lt;/em&gt;. Porque sim, também interpreto as minhas entrelinhas, o que verdadeiramente queria dizer ou o que verdadeiramente estou a sentir - &lt;em&gt;nem por sorte, na televisão do comboio fala-se dos dados em viés que as próprias redes sociais e a inteligência artificial nos trazem&lt;/em&gt;. Também &lt;strong&gt;entendo os meus próprios viés e sei que os tenho&lt;/strong&gt;. Não sou nem estou imune a esses processos. &lt;strong&gt;Porém não ser imune não pode servir como desculpa para não ter uma atitude crítica e questionar aquilo que se diz&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sinto, sinto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E não é fácil sentir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas é necessário.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O nosso modo de estar no mundo mudou. Mudou mesmo muito em poucos anos.
&lt;em&gt;A nossa disponibilidade emocional mudou. Também mudou muito, mesmo muito em poucos anos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;A nossa sociedade abandonou-se, abandonou-se a si mesma.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Entregou-se à violência de forma gratuita, entregou-se à ignorância de forma gratuita&lt;/strong&gt; - literalmente. Hoje em dia é demasiado fácil chegar a este lugar, mas é bastante difícil sair dele. Infelizmente. No entanto, ainda que seja difícil, não é impossível e todas as pessoas têm a sua responsabilidade, todas as pessoas têm algo a acrescentar. Da mesma maneira que nos colocam nesta situação, são também as pessoas que nos vão permitir sair daqui, deste caminho e fazer uma nova partida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acredito nisto. &lt;strong&gt;Acredito na organização e na construção de base&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Acredito em mudanças estruturais e sistémicas&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Acredito em revolução&lt;/strong&gt;, quando as reformas não são possíveis. A ideia revolucionária de existir, não tem espaço numa reforma social, &lt;strong&gt;mas sim numa transformação radical dos nossos atos e das nossas formas de estar no mundo&lt;/strong&gt;. Acredito na pessoa que está à minha frente, mas também nas que estão ao meu lado. &lt;strong&gt;Acredito e vou continuar a acreditar&lt;/strong&gt;. Mas, ainda assim, não deixa de ser decepcionante, que o meu acreditar tenha como resposta, a imposição de valores que nada têm a ver com a realidade, com propósitos que nada têm a ver com o que a História nos tem ensinado, com atribuições que em nada são naturais. Um acreditar que é transcrito numa movimentação anti-humana, anti-ser e anti-existir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Que as interpretações sejam apenas isso, interpretações&lt;/em&gt;. E com isto, não podemos fazer das interpretações a verdade absoluta. Não podemos fazer das interpretações o mal menor, e muito menos o mal maior. &lt;strong&gt;Vivemos numa sociedade de interpretações, mas não questionamos as premissas iniciais, nem sequer questionamos os resultados&lt;/strong&gt;. Enquanto for assim… será difícil avançar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E sim, digo avançar, sem medo de dizer avançar, &lt;strong&gt;porque o que vivemos hoje em dia é retrocesso&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Uma falsa pretensão de sociedade mais justa&lt;/em&gt;, mas no fundo, uma pretensão de uma sociedade virada para as mesmas pessoas, para os mesmos processos e para as mesmas circunstâncias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Com isto, não perdoo&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Não perdoo quem escolheu que tivéssemos neste momento&lt;/em&gt;, esta perspectiva (ou não perspectiva) de futuro. &lt;strong&gt;Não perdoo, nem vou perdoar nunca, &lt;em&gt;mas também não vou abandonar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Pois há uma diferença entre nós… &lt;strong&gt;&lt;em&gt;eu vejo-te, tu não me vês&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Porque dentro das minhas incertezas, entre linhas e dificuldades, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;eu vejo-te… tu não me vês&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O teu sorriso seguro não deixa dúvidas,&lt;br /&gt;
porque tu não me vês.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;PS:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Este artigo foi escrito dois dias depois das Eleições Legislativas 2025 em Portugal&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/130358539@N04/&quot;&gt;Ryusei - trains&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/partidas-chegadas-caminhos-paragens/&quot;&gt;Partidas e chegadas, caminhos e paragens&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a June 01, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Porque o discurso também fere...]]></title>
        <published>2025-05-04T19:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        </author>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/porque-o-discurso-tambem-fere/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250504-eu.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Já estamos no princípio de Maio,&lt;/strong&gt; o tempo voa… e eu fico. O tempo vai… e eu fico. O tempo segue… e eu fico. Num artigo anterior (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/um-primero-trimestre-para-nao-haver-outro/&quot;&gt;Um primeiro trimestre, para não haver outro…&lt;/a&gt;), escrevi sobre os meus primeiros três meses do ano 2025, &lt;em&gt;em que vivi com alguma instabilidade, algum medo de ruptura e, ou até mesmo, vergonha por ser quem sou e, como sou&lt;/em&gt;. Tudo isto culminou em &lt;strong&gt;duas semanas de pausa forçada&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Não conseguir orientar o pensamento de forma estruturada, não me permitia trabalhar em condições&lt;/em&gt;, somando o cansaço atroz e a falta de conexão sintónica entre o meu &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; e o meu corpo. Uma conexão desconexa que me estava a provocar ansiedade, mau estar, fazendo-me colapsar nas minhas próprias dúvidas e incertezas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Confesso que a situação política e social em que vivemos está-me a causar bastante perplexidade e instabilidade.&lt;/strong&gt; Uma instabilidade física, emocional e mental que vem mexer com a minha integridade pessoal (física e psicológica). Ler/ouvir as notícias do dia tem sido muito difícil (e sim, larguei todas as redes sociais &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt;), principalmente quando nós, mulheres trans (dentro da binariedade ou não), &lt;strong&gt;estamos sempre no centro do debate, mas nunca no centro das políticas de inclusão positivas&lt;/strong&gt;. Estamos num período histórico em que, novamente, muitos setores reacionários anti Direitos Humanos, &lt;strong&gt;afirmam que nem somos mulheres, nem somos pessoas com emoções, dignidade ou íntegras&lt;/strong&gt;. Somos apenas &lt;em&gt;fabricadas pela sociedade capital&lt;/em&gt;, somos um &lt;em&gt;produto não biológico&lt;/em&gt; (porque existem as mulheres biológicas e nós, que devemos ser de outra constituição que não biológica). &lt;strong&gt;Somos vistas como as agressoras e as ladras do sistema, como as enganadoras e as causadoras do pânico moral.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém, &lt;strong&gt;a nossa dor, a nossa dúvida e medo é o avultado produto de uma sociedade doente, podre, desvinculada da realidade&lt;/strong&gt;. Uma &lt;em&gt;sociedade apolítica que cospe a sua realidade em prol de fantasias como a ordem e o poder&lt;/em&gt;. As &lt;strong&gt;mesmas pessoas que violentam mulheres trans&lt;/strong&gt;, que as matam de uma forma direta e/ou indireta, mas que &lt;strong&gt;são as primeiras a exotizar e a fetichizar o corpo trans-feminino, as primeiras a “nudar-nos”&lt;/strong&gt; no mundo - &lt;strong&gt;&lt;em&gt;por favor não&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma sociedade que a cada dia me tem trazido mais dúvidas, mais incertezas, não porque não sei quem sou, mas porque me pergunto continuamente: Até que momento a minha vida vai ser como é? Até que dia vou acordar e sentir que sou capaz de enfrentar a violência de que sou alvo consecutivamente? Até que momento vou sair à rua sem olhar para trás ou por cima do ombro, implorando que não me reconheçam enquanto uma mulher trans? Enquanto uma pessoa com género dissidente? O mundo está a assustar-me. O mundo está a colocar-me numa caixa novamente. O mundo evoca a sua liberdade de expressão em nome do sofrimento das demais pessoas que, como eu, lutam todos os dias para se sentirem vivas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não é fácil.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não é fácil e este clima está a mexer comigo.&lt;/strong&gt;
Sei que vou enfrentá-lo, sei que o vou ultrapassar - não há outra solução possível.
Mas &lt;em&gt;fica o desabafo, o sentir a vida a fugir entre os dedos, o sentir o corpo deixar de ser meu novamente&lt;/em&gt; - o sentir deixar de ser eu, novamente. Enquanto puder, vou estar na luta, enquanto puder vou estar aqui. Mas sinto horrores nos dias de hoje, sinto medo e sinto tristeza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As estações do ano provocam-me sempre fases de crise de saúde, entre a euforia e a depressão.&lt;/strong&gt; Porém, acho que se estavam controladas, agora há alguns sintomas que são exacerbados pela instabilidade sócio-política. Uma pressão constante que recai sobre nós, sobre quem somos e como nos expressamos. &lt;em&gt;Não é uma crise como outra qualquer&lt;/em&gt;. É uma crise político-identitária, pois sinto pressão em reverter todos os meus alinhamentos políticos para conseguir ter uma vida, para conseguir estar em sociedade e para conseguir não morrer (mesmo que simbolicamente). &lt;em&gt;E a pior morte que posso ter é não conseguir ser eu, mas ser eu&lt;/em&gt;… começa a ser uma nuvem pesada de emoções que se contrastam continuamente no tempo e no espaço.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pessoas dentro do campo da &lt;strong&gt;&lt;em&gt;mono-cis-heteronormatividade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; nunca poderão entender este sentir em profundidade, ainda que possam empatizar. Mas nunca terão a vida em questionamento por serem monogâmicas, cis e hetero, podem por outras razões, mas não por estas. Acho que até há pouco tempo não queria aceitar que este contexto me estava a provocar estas oscilações nos meus ciclos, tenho procurado outros gatilhos para a minha situação instável de saúde - mas não é preciso ir longe: connosco, mulheres trans a ser alvo da violência institucional e política contínua é compreensível que eu oscile mais, que tenha de despender mais energia para estar bem e que o meu dia passe a ser despendido a procurar ferramentas de sobrevivência emocional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Lembro-me da minha primeira consulta na &lt;strong&gt;Psiquiatria - Sexologia Clínica&lt;/strong&gt;, quando procurei o médico para mudar o meu nome (&lt;em&gt;porque àquela data, ainda era necessário um aval médico&lt;/em&gt;): &lt;em&gt;eu estava bastante à vontade com quem era, com o que queria - 2 anos depois estava doente&lt;/em&gt;, estava cansada por ter sido posta à prova consulta após consulta até duvidar de mim, como uma prova de endurance que ninguém tem de passar quando se reconhece a si mesma. Foram dos anos em que tudo o que sabia de mim foi questionado e foi patologizado - até perguntas sobre quando deixei as fraldas foram necessárias, testes motores, de memória, de personalidade, até de QI, tudo… &lt;em&gt;Hoje, 10 anos depois, estou a sentir o mesmo, mas de uma forma mais transversal, mais sistémica e profunda, pois tem origens muito mais estruturais do que apenas as minhas consultas - a minha relação &lt;strong&gt;pessoa-médico&lt;/strong&gt; - mas todas as minhas relações &lt;strong&gt;pessoa-pessoas&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Custa-me. Custa-me bastante. &lt;strong&gt;A minha trans feminilidade está sempre a ser colocada à prova.&lt;/strong&gt; Porque sou, ou não sou, ou porque não sou o suficiente, ou porque algo… sempre. Se sei que é preciso continuar a lutar? Sei. Se sei que é preciso ter força e continuar? Sei.
&lt;strong&gt;Não preciso que me digam, lembro-me disso a cada momento do dia e da noite.&lt;/strong&gt; Mas neste momento só me apetece desligar de toda esta realidade e isso tem sido paradoxal, pelo menos para quem sempre amou a vida. De poder acordar um dia e sentir que não sou parte de uma das comunidades que mais serve a culpa dos problemas da moral social, da decadência desta sociedade em que vivemos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas &lt;strong&gt;não, não somos nós que apodrecemos este canto da sociedade&lt;/strong&gt;, foi a &lt;strong&gt;inação de quem tem responsabilidade social e política&lt;/strong&gt;. Foi a &lt;strong&gt;inação de uma população&lt;/strong&gt; perante o crescimento do discurso de ódio, do discurso anti Direitos Humanos, &lt;strong&gt;por ser permissiva e por ser complacente ao mesmo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A minha saúde mental agrava-se com esta conjuntura.&lt;strong&gt;Se tenho medo? Tenho. Se continuo aqui? Continuo.&lt;/strong&gt; Se é possível ser indiferente? Para mim não é. A indiferença foi o que nos levou até onde estamos hoje. Essa indiferença, essa mesmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quero pensar que o mundo pode melhorar, que pode ser mais justo para com todas as pessoas, mas até lá, ainda há muito caminho para percorrer e, para já, enrijecer para não andar para trás. Enrijecer pela manutenção do que demoramos anos a conquistar e a tomar como um direito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As minhas dificuldades estão cá e socializar tem sido um desafio cada vez mais difícil para mim… a minha introversão tem tomado conta do meu estar, pois é mais seguro o meu silêncio. É mais seguro estar neste lugar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Respiro fundo&lt;/strong&gt;, respiro fundo, pois quero ser capaz de sobreviver.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Respiro fundo&lt;/strong&gt;, respiro fundo, pois quero ser capaz de estar.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Respiro fundo&lt;/strong&gt;, expiro… pois a minha voz não sai, apenas ecoa um som frágil e vulnerável.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Respiro fundo&lt;/strong&gt;, inspiro…pois o ar da sociedade fede, e eu apenas tenho esse para respirar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.pedrogomesalmeida.com/betweenthemarginsofbeing&quot;&gt;Pedro Gomes Almeida - Dani Bento &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/porque-o-discurso-tambem-fere/&quot;&gt;Porque o discurso também fere...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a May 04, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Um primeiro trimestre, para não haver outro...]]></title>
        <published>2025-04-04T19:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/um-primero-trimestre-para-nao-haver-outro/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250404-tempestade.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Este último trimestre não foi fácil. &lt;strong&gt;Foi um início de ano conturbado e com bastantes oscilações, entre o cansaço, a apatia e a melancolia.&lt;/strong&gt; As dificuldades em cumprir os meus objetivos foram evidentes, bem como cumprir com o que quer que me pedissem. No emprego senti que tudo se complicou, não porque o trabalho mudou, mas porque a minha capacidade de dar resposta decresceu bastante. Simultaneamente, na vida pessoal e no ativismo, paralisei. &lt;strong&gt;Consecutivamente deixei de cumprir obrigações que tinha, bem como deixei passar o meu próprio autocuidado para um lugar que não chega há bastante tempo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sei que senti a &lt;em&gt;minha energia ir para valores muito baixos&lt;/em&gt;, e não só a energia, mas o meu próprio estado anímico. A &lt;em&gt;tristeza acompanhou-me grande parte do tempo&lt;/em&gt;, uma tristeza profunda, uma melancolia de deixar os meus pequenos (o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Misako&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Emi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;) quase ao abandono. &lt;em&gt;A dificuldade em gerir emoções e expectativas estava em saldo negativo.&lt;/em&gt; Tive de fazer um esforço muito grande para conseguir manter alguma funcionalidade e alguma vontade de viver.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não foi fácil acordar sem vontade de me levantar e adormecer sem vontade de acordar. &lt;strong&gt;Os dias podiam ter 24 horas, a maioria do tempo… usado para dormir, dormir, dormir.&lt;/strong&gt; Pausas eram usadas para dormir, refeições usadas para dormir e viagens usadas para dormir. &lt;em&gt;Tudo era uma desculpa para dormir e não sentir o mundo.&lt;/em&gt; Tudo era uma forma de me desligar e desconectar de mim. Pois eu não estava a conseguir viver conectada comigo. &lt;strong&gt;Não me encontrava. Não me achava. Não me localizava.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Felizmente agora estou melhor&lt;/strong&gt;, a tomar decisões mais saudáveis, a tomar iniciativas mais cuidadoras de mim. &lt;strong&gt;Aos poucos, aos poucos as coisas vão mudando.&lt;/strong&gt; Porém fica a tristeza do que poderia ter sido feito e não foi, a culpa por não ter feito e a frustração por não conseguir me colocar em mais lugares que gostaria de estar. Compreendo o meu estar e é por isso que o aceito e deixo-me vivênciá-lo como deve ser e permitir-me refletir nos passos seguintes. Aos poucos começo a fazer coisas que gosto, a organizar-me melhor, a ter a capacidade de interagir… mas isto teve e tem custos. &lt;strong&gt;Tem custos sociais&lt;/strong&gt;, o afastamento de pessoas, a dificuldade de comunicar as minhas necessidades, o meu fechamento em mim mesma. &lt;strong&gt;Toda uma dinâmica de perder sensibilidade à vida.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Amor, não o amor romântico, mas o amor pelas coisas, pelas pessoas e pela vida. &lt;strong&gt;Perdi.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Perdi esse amor, perdi essa vontade, perdi essa dinâmica&lt;/strong&gt; e, tudo isto, deu lugar a medo, preocupação, isolamento, quebra de capacidade de fazer tarefas que normalmente gosto, perdi a vontade de estar com quem quer que seja em que registo for. Perdi amor. Amor de viver.  &lt;strong&gt;Preciso de me apaixonar novamente, preciso apaixonar-me por mim, e novamente pelas pessoas.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Preciso sair deste registo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acordo de manhã com um peso na consciência por tudo o eu deixei para trás, porém também acordo com algum alívio por me sentir sair deste registo, ainda que devagar e devagarinho. &lt;strong&gt;Mas vou sair.&lt;/strong&gt; Ter consciência das minhas oscilações é um passo gigante para a minha estabilidade. Saber com o que conto e com que conto. Apesar deste saber ser difícil, é a prática que dita a nossa capacidade de escolha e seleção. Estou neste momento a procurar encontrar-me e penso que aos poucos já me vou vendo e me reconhecendo. É difícil, é… mas é possível e eu vou conseguir, só preciso de tempo e espaço. Só preciso ganhar paixão novamente. Só preciso de me amar novamente e sem medo de gostar de mim, sem medo de aceitar que sim, até posso ser uma boa pessoa, que sim até pode ser bom estar comigo, que sim, &lt;strong&gt;até pode ser bom viver um projeto de vida comigo mesma&lt;/strong&gt;. Neste sentido quero amar, quero amar chegar a casa, mas também amar sair de casa. Quero amar os meus pequenos, quero amar as pessoas que me rodeiam e quero amar as coisas que faço. &lt;strong&gt;Quero amor. E isso é um processo de autocuidado revolucionário, muito revolucionário.&lt;/strong&gt; Saber o que queremos para nós e como queremos e com quem queremos é fazer a revolução, é amar na vida e não amar na expectativa. &lt;strong&gt;É verdadeiramente amar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso eu quero um segundo trimestre do ano melhor, mais rico, menos triste e com crescimento pessoal, com paixão e muito cuidado, com muito amor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso eu quero um segundo trimestre do ano melhor, mais sorridente e cheio de emoções e cheio de vontades, com direito à vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso eu quero um segundo trimestre do ano melhor, sem culpa, sem frustração desnecessária, sem… sentir-me morta para tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por isso eu quero…&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.pexels.com/photo/close-up-photo-of-coconut-tree-1030320/&quot;&gt;Suparerg Suksai - Thailand &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/um-primero-trimestre-para-nao-haver-outro/&quot;&gt;Um primeiro trimestre, para não haver outro...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a April 04, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Adeus Meta, X e companhia...]]></title>
        <published>2025-03-23T18:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/adeus-meta-x-e-companhia/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20250323-adeus.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Redes sociais como o &lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Facebook&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Instagram&lt;/strong&gt;, e agora o &lt;strong&gt;Threads&lt;/strong&gt; fizeram parte de uma longa história de partilhas de conteúdo online que produzia ou que partilhava com outras pessoas. Há vários anos que tenho um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; onde escrevo textos diversos e normalmente acabava &lt;em&gt;por ser nestas redes que divulgava o que escrevia&lt;/em&gt;. Era assim que muitas vezes as pessoas achavam o meu conteúdo. Porém, acho que importa dar um basta. Sei que, infelizmente, estas redes são, desde o seu início, uma forma de capitalizar a nossa informação e de a vender &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“se não pagas o produto, é porque és o produto”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. No entanto, com o seu crescimento, mais e mais pessoas aderiram a estes produtos, sendo que hoje em dia &lt;em&gt;torna-se difícil sair sem ter um custo associado&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Podemos fazer com esta linha de pensamento uma crítica à presença nestas redes, mas não é o objetivo desta entrada&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com as recentes mudanças na empresa &lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt; (&lt;strong&gt;ex-Twitter&lt;/strong&gt;), a empresa de Elon Musk e a &lt;strong&gt;Meta&lt;/strong&gt;, empresa que detém o &lt;strong&gt;Facebook&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Instagram&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Threads&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;WhatsApp&lt;/strong&gt;, tornou-se claro que deveria deixá-las seguir o seu rumo e eu o meu. O &lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;, deixou de ter o espírito do &lt;strong&gt;Twitter&lt;/strong&gt;, e neste momento é &lt;em&gt;apenas um local onde se destila ódio&lt;/em&gt; sem qualquer barreira e sem qualquer ética. A &lt;strong&gt;Meta&lt;/strong&gt; seguiu o mesmo caminho e &lt;em&gt;deixou de verificar a veracidade dos dados&lt;/em&gt;, em detrimento da sua própria definição de liberdade de expressão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Resta-me assim &lt;em&gt;procurar alternativas pagas, ou não&lt;/em&gt;, que me permitam continuar a obter a informação que preciso e quero, bem como poder partilhar o meu conteúdo. Há uns meses comecei um processo de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-Googling&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, agora vou iniciar um processo de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-X&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-Meta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que inclui abandonar estas redes em detrimento de outras ou nenhuma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Existem dificuldades, dado que a nossa vida está “literalmente” espelhada nestas redes, mas é um passo necessário que se fará com o seu tempo. Alternativas como o &lt;strong&gt;BlueSky&lt;/strong&gt; para substituir o &lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Mastodon&lt;/strong&gt; para substituir o &lt;strong&gt;Facebook&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;PixelFed&lt;/strong&gt; para substituir o &lt;strong&gt;Instagram&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Telegram&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;Signal&lt;/strong&gt; para substituir o &lt;strong&gt;WhastApp&lt;/strong&gt;. Entre outras soluções que existem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;De facto, é preciso ir mais longe.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;É preciso questionar a própria utilização destas plataformas&lt;/em&gt;. Há ganhos? Não há? Chegamos a quem queremos? Estamos de facto a proliferar boa informação? &lt;strong&gt;Há um custo associado de sair destas redes, um custo social e económico.&lt;/strong&gt; Por um lado, é necessário fazer valer a nossa posição enquanto ativistas pelo direito fundamental a uma vida digna e sem ser alvo de violência gratuita. Por outro lado, perder acesso a uma série de informação vai-me obrigar a procurar alternativas. Quem sabe, alternativas melhores!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo que executo este processo de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-Googling&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-X&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;de-Meta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, também quero transportar grande parte do meu conteúdo para infraestruturas dentro da Europa, retirando-me da dependência de empresas dos EUA. Por exemplo, este site deixou de estar num &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Virtual Private Server (VPS)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; na &lt;strong&gt;DigitalOcean&lt;/strong&gt;, para estar num servidor da &lt;strong&gt;Hetzner&lt;/strong&gt; (empresa alemã). Neste mesmo sentido, muitas outras mudanças vão acontecer, depois escreverei uma entrada a falar de todas as migrações que fiz e que irei fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pergunto-me como será o futuro?&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Estarei eu mais excluída dos espaços?&lt;/em&gt; Acho que no princípio estarei, porém penso que é um preço justo a pagar por estar a deixar espaços de violência. Mas em consequência do que tem acontecido, é um passo que me é natural fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Deixo aqui os meus perfis nas redes sociais novas que estou, aos poucos, a migrar a minha informação.&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;https://mastodon.social/@danifbento&quot;&gt;Mastodon&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;https://pixelfed.social/danifbento&quot;&gt;PixelFed&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/danifbento.bsky.social&quot;&gt;BlueSky&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: Daniela Bento&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/adeus-meta-x-e-companhia/&quot;&gt;Adeus Meta, X e companhia...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a March 23, 2025.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>https://www.danifbento.me/ano-2024-em-revisao</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Ano 2024, em revisão...]]></title>
        <published>2025-01-01T20:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
            <uri>https://www.danifbento.me/</uri>
        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;p&gt;Primeiro dia de 2025. &lt;strong&gt;Foi um ano longo e ao mesmo tempo, muito rápido.&lt;/strong&gt; Um ano &lt;em&gt;cheio de oscilações mais intensas ou mais graduais&lt;/em&gt;, mas com muitas oscilações. Não foi um ano fácil, de todo. Porém, aprendemos e aprendemos sempre, é esse o grande desafio da vida: &lt;strong&gt;aprender&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Este não foi um ano muito rico em artigos neste blogue, apesar do que tinha intenções no início do ano. &lt;strong&gt;Infelizmente os altos e baixos do dia a dia não me permitiram colocar em ação o que queria para este espaço&lt;/strong&gt;, mas chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde, chegaremos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém, fica aqui uma visão do que foi o meu caminho de 2024 apresentado nos artigos que consegui escrever durante o ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O meu primeiro artigo foi só depois do início de Abril, intitulado “&lt;em&gt;Uma parede branca&lt;/em&gt;” e usa a &lt;em&gt;tela branca como uma metáfora para a construção da vida&lt;/em&gt; em diversos aspectos:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“E talvez isso seja o mais importante de sentir-me uma parede branca. É deixar-me e permitir-me sentir todo o espectro de emoções que existem e não questionar a minha saúde por estar feliz ou estar triste. Durante anos, esse foi um critério para gerir as emoções, não me permitia simplesmente vivê-las, porque significavam algo mais aterrador, mais provocador, mais mortífero… na realidade.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Junho escrevo sobre como &lt;em&gt;eu consegui ressignificar o mundo, a minha vida&lt;/em&gt; e ao mesmo tempo sobre o cansaço da coerência:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Estou cansada de racionalizar o que sinto, de dar resposta a um sistema feito para manter o controlo, manter a eficiência laboral e para produzir para o capital. Eu não quero ter de racionalizar constantemente, quero ser uma pessoa que vive as suas emoções e as suas contradições com o que têm de bom ou mau. Racionalizar foi a minha arma de combate durante anos, criava-me uma distância segura onde me podia proteger. Hoje não quero essa distância, não quero essa barreira.“&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Já só volto a escrever em Outubro, sobre o &lt;em&gt;medo, a insegurança e a memória&lt;/em&gt;:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Escrevo na expectativa de poder recordar, de poder mais tarde olhar para trás e voltar a ler-me. Escrevo porque os meus dedos assim o dizem para fazer, sem medos e sem vergonha. Neste momento de paz que encontro comigo mesma, com tudo o que faz parte da minha vida, e com tudo o que não faz parte, também. Sou um conjunto de partes, que se cruzam e partes que se estilhaçam no Universo. Sou parte de um todo, de mim.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;É Novembro e estou em &lt;em&gt;deslize para mais uma crise depressiva, o mundo tornara-se difícil, muito difícil&lt;/em&gt;, deslizei, mas não caí:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Há umas semanas que não me venho a sentir bem, tendo-se tornado mais difícil nas últimas duas. O esforço imenso que faço diariamente para sobreviver mais um pouquinho é tremendo, é duro e é angustiante. Respiro fundo…, mas respirar fundo não é suficiente. Fecho os olhos e procuro o silêncio…, mas o silêncio não é suficiente. Deito-me e tento dormir…, mas dormir também não é suficiente. A vontade de viver acabou e a vitalidade desapareceu deste mundo. Custa-me, tudo me pesa, tudo me é difícil e requer imensa energia que não tenho.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Já em Dezembro, estou noutro lugar, &lt;em&gt;mais optimista, mais segura de mim, mais proativa&lt;/em&gt; em criar momentos de autocuidado:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Era preciso voltar a agarrar-me a algo palpável, material e forte para me sustentar, mesmo que fosse mais uns dias. Era um dia de cada vez, um momento de cada vez, um acontecimento de cada vez, que somados ao cansaço me tornavam mais sensível e muito menos capaz de responder às expectativas: ainda hoje me custa, estou melhor, mas ainda me custa.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Não foi um ano rico em artigos por aqui, mas aconteceram também algumas coisas interessantes: consegui entrar na &lt;strong&gt;Pós Graduação de Sexualidade Humana na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa&lt;/strong&gt; e finalmente consegui &lt;strong&gt;começar a ter alguns momentos de descanso sem sentir culpa&lt;/strong&gt;, tudo se tornou um pouco mais fácil de viver no dia a dia. &lt;em&gt;No entanto, foi um ano de várias ressignificações, vários momentos difíceis que ainda preciso continuar a trabalhar e a colocar na minha agenda de trabalho pessoal.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A partir daqui, espero conseguir tornar um 2025 mais rico em diferentes dinâmicas de autocuidado e autopreservação. Continuar a lutar para erradicar amarras que me prendem, continuar a viver para viver e não só sobreviver.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por um ano de 2025 com mudanças estruturais importantes e de fundo para o meu dia a dia.&lt;/p&gt;

&lt;h3 id=&quot;artigos-de-2024&quot;&gt;Artigos de 2024:&lt;/h3&gt;
&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/estendida-no-sofa-acho-me/&quot;&gt;Estendida no sofá, acho-me…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/na-corda-bamba-com-as-estacoes-do-ano/&quot;&gt;Na corda bamba com as estações do ano…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/pelos-ceus-de-encontro-a-mim-mesma/&quot;&gt;Pelos céus… de encontro a mim mesma…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/reconduzir-ressignificar-repensar/&quot;&gt;Reconduzir, ressignificar, repensar…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/uma-parede-branca/&quot;&gt;Uma parede branca…&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Feliz Ano 2025 e continuação de boas leituras,&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/ano-2024-em-revisao/&quot;&gt;Ano 2024, em revisão...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a January 01, 2025.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Estendida no sofá, acho-me...]]></title>
        <published>2024-12-10T18:00:00+00:00</published>
        <updated>2024-12-10T18:00:00+00:00</updated>
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            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/estendida-no-sofa-acho-me/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20241210-boudoir.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estou no sofá, olhos fechados, pernas esticadas, sorriso.&lt;/strong&gt; O Emi preenche os espaços entre as minhas pernas e o sofá, o Misako dorme no seu local preferido: a cadeira. Estou no sofá, respiro, respiro profundamente e saúdo a minha travessia, o meu caminho ou o meu trajeto. Sorrio. &lt;em&gt;Escorreguei e quase caí, escorreguei e quase passei o limite, escorreguei e quase, quase, quase entrava noutro período de maior complexidade.&lt;/em&gt; Escapei por entre as gotas da chuva de uma crise maior, escapei e sobrevivi. Fica aqui o registo para quando precisar voltar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Escapei e sobrevivi.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Há umas semanas &lt;strong&gt;lutava contra um abanão profundo&lt;/strong&gt;, contra mais uma maré de &lt;strong&gt;ataques de pânico&lt;/strong&gt;, contra mais uma &lt;strong&gt;angústia do tamanho do universo&lt;/strong&gt;, contra a &lt;strong&gt;vontade de desistir de tudo&lt;/strong&gt; e principalmente, contra a &lt;strong&gt;vontade de me abandonar a mim mesma no vazio&lt;/strong&gt;. Contra tudo isto e mais, lutei e caminhei. Mesmo quando era impossível acreditar que haveria mais vida para além daquilo que estava a sentir. &lt;em&gt;Vai ciclicamente acontecer, mas quando acontece dói, e dói muito.&lt;/em&gt; Porém, felizmente, já vou conhecendo os meus altos e baixos - ainda que às vezes a dor é tão grande que fica difícil conseguir ver com base neste conhecimento. Mas tenho as ferramentas, construí as ferramentas ao longo de vários anos. &lt;strong&gt;Tenho.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atravessei um período difícil, dissociada do meu corpo, dissociada de quem eu era e sou, dissociada da minha capacidade de viver. Era o fim da linha.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era preciso voltar a agarrar-me a algo palpável, material e forte para me sustentar, mesmo que fosse mais uns dias. Era um dia de cada vez, um momento de cada vez, um acontecimento de cada vez, que somados ao cansaço me tornavam mais sensível e muito menos capaz de responder às expectativas: &lt;em&gt;ainda hoje me custa, estou melhor, mas ainda me custa&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A conselho e sobre autonomia.&lt;/strong&gt; Percebi que precisava &lt;em&gt;forçar-me a mudar rotinas, a aproximar-me mais de mim, do meu corpo, dos meus desejos e daquilo que me fazia sentido na pele&lt;/em&gt;. O trauma que emana das minhas células corporais complexifica a obtenção de sensações boas ou agradáveis, são contínuas metamorfoses de uma realidade que oscila entre o aqui e o antes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A conselho e sobre autonomia.&lt;/strong&gt; Precisava &lt;em&gt;ganhar novamente controle sobre o meu corpo&lt;/em&gt; e sobre o que sentia. Precisava transformar estas memórias em algo do presente. Precisava recuperar a minha auto-estima, o meu bem-estar, o meu desejo e a minha auto-percepção enquanto pessoa merecedora de felicidade e de bom trato. Precisava tomar decisões autónomas e emergentes para me conciliar com o meu corpo, para me reconectar e afirmar-me.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A ferros,&lt;/strong&gt; mas com mais segurança a cada dia, &lt;em&gt;comecei a fazer exercício todos os dias pela manhã&lt;/em&gt; ao acordar: algo simples, uns alongamentos, 15 minutos. Decidi que era tempo de largar os fatos de treino ainda que esteja a trabalhar de casa a maioria do tempo: estava a deixar-me ficar distante do meu autocuidado e do meu auto-carinho. Por isso, todos os dias, agora, visto algo mais complexo que não um fato de treino: voltei a usar saias e vestidos, voltei a ter mais algum cuidado com o corpo e com a forma como o trato.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A cuidado decidi&lt;/strong&gt; que seria uma ideia promissora e que podia resultar positivo &lt;em&gt;fazer uma sessão de fotografia de &lt;strong&gt;boudoir&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, desta vez, sendo eu fotografada, sendo eu a cara da imagem e do resultado final. Dada a complexidade da minha relação com o corpo, senti que podia ser um desafio bastante interessante e que poderia &lt;strong&gt;resultar em dois extremos&lt;/strong&gt;: ou &lt;em&gt;iria odiar por não me conseguir ver&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;iria gostar por entender as limitações de cada corpo em cada momento&lt;/em&gt;. Foi neste sentido que numa pesquisa no Google por pessoas fotógrafas que faziam este tipo de sessão em Lisboa, encontrei a &lt;a href=&quot;https://www.romanapreto.com/&quot;&gt;Romana Preto&lt;/a&gt;. Falamos ao telefone e fiquei super entusiasmada com a possibilidade do trabalho, com a sessão e os resultados. Senti-me segura e confiante na primeira conversa que tivemos ao telefone. Fizemos a sessão uns dias depois.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No fim, quando recebi as fotos, emocionei-me. &lt;em&gt;A sessão foi bastante agradável, inclusiva e cuidada.&lt;/em&gt; Mas tinha medo das fotografias, do que eu iria sentir ao ver-me. Porém, &lt;strong&gt;fiquei surpreendida por ficar surpreendida pela positiva com o resultado&lt;/strong&gt;. Senti-me bem na sessão e senti-me feliz com o resultado, emocionei-me, pois era a primeira vez que tinha um conjunto de fotografias destas, deste estilo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Através destes pequenos atos tenho-me aproximado de mim novamente, estou mais agarrada à vida e à possibilidade das coisas que ela nos pode trazer. Porém ainda não sinto que esteja totalmente recuperada, mas estou num caminho de ascensão ao meu bem estar e à minha auto-preservação.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Respiro novamente, olho para o Emi, olho para o Misako, nunca duvidaram, nunca questionaram quem eu era, sempre fui, para eles sempre fui, sou e serei. Agora que vou ganhando hábitos e que tenho um momento registado de como me senti conectada comigo, será mais fácil, será mais revolucionário e potente. Agora será para continuar, será para investir, será para amar-me com paciência e carinho, com ternura e cuidado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pois eu mereço,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Pois eu quero,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Pois eu…&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.romanapreto.com/portfolio/fotografia-boudoir&quot;&gt;Daniela Bento - Romana Preto&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/estendida-no-sofa-acho-me/&quot;&gt;Estendida no sofá, acho-me...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a December 10, 2024.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Na corda bamba com as estações do ano...]]></title>
        <published>2024-11-14T17:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/na-corda-bamba-com-as-estacoes-do-ano/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20241114-depressao.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;É novembro, meio de novembro.&lt;/strong&gt; Estamos a meio da estação de outono, mais perto do inverno e cada vez mais longe do verão… aproxima-se o solstício de inverno, que nos dá o dia mais pequeno do ano. Num espaço temporal em que as estações eram bem demarcadas, começaria o frio, começariam as chuvas e diminuiria o tempo de luz solar. No entanto o tempo está mais instável e consequentemente estes acontecimentos de outono também. &lt;strong&gt;Para alguém com crises sazonais este período revela-se agora mais desafiante&lt;/strong&gt;: se por um lado &lt;em&gt;a incerteza das mudanças de tempo também trazem a incerteza da crise&lt;/em&gt;, por outro lado, também &lt;em&gt;a sua instabilidade traz a incerteza de como nos vai afetar naquele momento&lt;/em&gt;. Muito, pouco? Assim, assim? Não sei…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Há &lt;strong&gt;umas semanas que não me venho a sentir bem&lt;/strong&gt;, tendo-se tornado mais difícil nas &lt;strong&gt;últimas duas&lt;/strong&gt;. O &lt;em&gt;esforço&lt;/em&gt; imenso que faço diariamente para sobreviver mais um pouquinho é &lt;em&gt;tremendo, é duro e é angustiante&lt;/em&gt;. Respiro fundo…, mas respirar fundo não é suficiente. Fecho os olhos e procuro o silêncio…, mas o silêncio não é suficiente. Deito-me e tento dormir…, mas dormir também não é suficiente. &lt;strong&gt;A vontade de viver acabou e a vitalidade desapareceu deste mundo.&lt;/strong&gt; Custa-me, tudo me pesa, tudo me é difícil e requer imensa energia que não tenho. &lt;em&gt;Quero acreditar que é só uma crise sazonal, que vou ficar melhor e que vou sair deste lugar escuro, sem luz&lt;/em&gt; - enquanto tiver a esperança de que vou sair é positivo, piores são os momentos em que não consigo ter essa consciência, que tudo me parece longínquo, distante e frio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A minha capacidade de sociabilização está reduzida a nada&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;custa-me falar, custa-me estar presente, custa-me viver o momento&lt;/em&gt;. Tudo se torna um peso, uma dificuldade sem medida possível. Os meus gatos bem se aproximam de mim, procuram-me e eu não lhes consigo dar a resposta que sempre dou. Um gesto, um mimo ou uma festa, mas não consigo. &lt;strong&gt;Não consigo&lt;/strong&gt;. Procuro escrever para me ajudar, procuro colocar em papel os pensamentos que me chegam e que me atravessam, mas até isso é um exercício difícil, muito difícil - &lt;em&gt;a vontade não é muita, a dificuldade é demasiada&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Olho lá para fora e só quero ficar cá dentro, escondida dentro de um cobertor, sem que ninguém me veja, sem que ninguém me procure e sem que ninguém dê por mim&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Às vezes assusta-me a quantidade de vezes que irei passar (e já passei) por estes ciclos na vida, quantas vezes ficarei assim, quantas vezes quebrarei sem motivo aparente, sem causa e consequência.&lt;/em&gt; Quantas vezes acordarei sem vontade de acordar, sem vitalidade ou vontade de estar no mundo. Assusta-me porque é duro, muito duro. Não é impossível de viver, mas não deixa de ser duro. A medicação certa ajuda, a terapia certa ajuda, mas há sempre momentos em que vamos ao engano da própria vida. Vamos ao engano do que conhecemos ser certo para nós. &lt;strong&gt;Dói-me. Tudo me dói.&lt;/strong&gt; Tudo me deixa bloqueada e sem energia. &lt;strong&gt;Saboto o meu dia, as minhas relações, o meu trabalho, a minha vida social. Saboto porque o lugar da dor é-me confortável, é-me conhecido, é-me próximo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando se tem um diagnóstico de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bipolaridade&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que, também, se desenvolve sob uma &lt;em&gt;&lt;strong&gt;PSPT-C (Perturbação de Stress Pós-Traumático Complexo)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, o pesadelo existe no passado, no presente e no futuro. As crises ficam incrivelmente mais vividas, mais presentes, mais corporais. &lt;em&gt;O corpo fala e o corpo diz. O corpo fala muito e o corpo diz muito. O corpo fala dor e fala sofrimento. O corpo dói e o corpo sofre.&lt;/em&gt; A minha mente navega entre o trauma e a realidade, deixo de saber onde estou: não sei onde estou. Tudo me parece igual, tudo me parece uma fita riscada, um rolo desmedido com a mesma imagem sempre e sempre, sempre e sempre. &lt;strong&gt;O mesmo símbolo, o mesmo significado, a mesma representação. O simbólico que é também real e o real que é também simbólico. Tremo, tremo muito. Espasmos, dor.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Resta-me ter paciência, mesmo muita paciência comigo mesma.&lt;/strong&gt; Entender e respeitar o meu próprio espaço, &lt;em&gt;cultivar a empatia&lt;/em&gt; por mim, &lt;em&gt;semear o cuidado e o carinho&lt;/em&gt; que mereço. Resta-me esperar, esperar e esperar. Organizar as ideias e repetir várias vezes que isto será só uma fase, nada mais, nada menos. &lt;em&gt;Repetir até acreditar, repetir até ter a certeza, repetir até sair deste lugar.&lt;/em&gt; As várias etapas da minha vida são marcadas por momentos assim, descidas e também subidas abrutas, mas com o tempo têm-se dissipado, têm tido menor escala. No entanto não desaparecem… &lt;strong&gt;porque há marcas que nunca vão desaparecer.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Preciso sentir o meu próprio amor… preciso sentir-me, voltar a montar todos os pedacinhos em que me desfiz, em que me parti, em que me dissociei. Preciso de voltar a mim, a não olhar para o meu corpo como um estranho pedaço vivo sem alma, preciso de o reconquistar, ser meu… ser agente dele.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Preciso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Simplesmente preciso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/goldilockphotography/8178012239/&quot;&gt;Depression. - Mary Lock&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/na-corda-bamba-com-as-estacoes-do-ano/&quot;&gt;Na corda bamba com as estações do ano...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a November 14, 2024.&lt;/p&gt;
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        <id>https://www.danifbento.me/pelos-ceus-de-encontro-a-mim-mesma</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Pelos céus... de encontro a mim mesma...]]></title>
        <published>2024-10-22T08:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        </author>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/pelos-ceus-de-encontro-a-mim-mesma/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20241022-medo.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sobrevoo os céus de Portugal&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e vou a caminho de &lt;strong&gt;Bucareste&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Roménia&lt;/strong&gt;. Estou a umas escassas horas de distância de começar a conferência da ILGA-Europe, que irá acontecer nos próximos dias, até precisamente sábado, dia 19 de outubro. Volto dia 20 de outubro. Volto, a Lisboa, dia 20 de outubro. &lt;strong&gt;Em viagem, penso e repenso no meu lugar, reflexiono e volto a reflectir neste lugar que ocupo. Onde estou? E para onde vou?&lt;/strong&gt;
Tudo isto aquando de ter para a semana, dia 26 de outubro, &lt;em&gt;a primeira aula da Pós-Graduação em Sexualidade Humana, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa&lt;/em&gt;. Esta Pós-Graduação vai na IV edição… concorri na I edição, mas sem sucesso - tinha Mecânica Quântica por fazer na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;São estes &lt;strong&gt;tempos que se avizinham cheios, cheios e ricos, ricos e desafiantes, desafiantes e…&lt;/strong&gt; não sei descrever. Quero fazer o meu melhor. &lt;em&gt;Quero e preciso, preciso e necessito, necessito e irei conseguir&lt;/em&gt;. Mas tenho &lt;strong&gt;medo&lt;/strong&gt;. O medo atingiu-me nestes dias que têm passado. &lt;strong&gt;Algum medo, alguma insegurança…&lt;/strong&gt; serei eu capaz de levar tudo isto? &lt;em&gt;Serei eu capaz de enfrentar os meus próprios medos internos, romper com as minhas próprias metodologias tóxicas e inexperientes?&lt;/em&gt; Faço perguntas, faço muitas perguntas. &lt;em&gt;Pergunto-me e volto a perguntar, sou eu capaz?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sou eu capaz? A minha grande dúvida, o meu grande receio, o meu grande medo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na semana passada assinalou-se o &lt;strong&gt;Dia da Saúde Mental (10 de outubro)&lt;/strong&gt;. Partilho &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;/dia-mundial-da-saude-mental-a-doenca-invisivel/&quot;&gt;este artigo (Dia Mundial da Saúde Mental - A doença invisível)&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; que escrevi, em 2019, num momento difícil da minha vida. Um existir e viver em depressão profunda, custou-me 4 a 5 meses numa recuperação árdua e intensiva. Agora passaram 5 anos e estou neste lugar simbólico, a vários milhares de quilómetros do chão.
Também, se assinalou o dia do &lt;strong&gt;Coming Out (11 de outubro)&lt;/strong&gt;, um dia que marca um &lt;em&gt;marco importante para muitas pessoas LGBTQIA+&lt;/em&gt;. Um dia que me lembra vários dos meus processos durante os últimos anos, &lt;strong&gt;onde me afirmei, re-afirmei e, por força das circunstâncias, continuo a reafirmar em várias identidades&lt;/strong&gt;. Durante anos tive medo desse processo, mas segui em frente, porque sabia que era importante seguir em frente. Não ficar parada no próprio ódio, no próprio desgosto, no próprio medo de avançar no dia a dia. Porque falo em ódio? Em desgosto e medo? &lt;strong&gt;Porque durante anos e anos acreditei que eu estaria errada.&lt;/strong&gt; O mundo ao meu redor, e não só, fez-me crer que sim, que estava errada e alimentou o meu medo.
&lt;em&gt;Um medo profundo de sentir ódio de mim, sentir desgosto por quem eu era e sou&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sinto &lt;strong&gt;hoje que fiz um caminho… longo&lt;/strong&gt;, mas fiz um caminho. Foram diversos os obstáculos que existiram e que ainda continuam a existir, mas &lt;em&gt;sigo um desejo, um desejo de ser, estar feliz&lt;/em&gt;: essa emoção relativa e difícil de mensurar. Não deixa de ser uma medida de cada pessoa e para cada realidade. &lt;em&gt;Passei por momentos bons, maus. Passei por momentos excelentes, péssimos. Passei por momentos de que não me lembro, de todo&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Hoje&lt;/strong&gt; estou num lugar que nunca sonhei estar, nunca fez parte dos meus planos e que, sobretudo, nunca me achei capaz de tal. &lt;strong&gt;Hoje&lt;/strong&gt; estou num outro lugar, onde me apetece sorrir - apesar do medo, apesar da insegurança. &lt;em&gt;Um lugar de experiência, de provocação, de contestação. Um lugar na margem, mas no centro da mudança&lt;/em&gt;. Porque &lt;strong&gt;é na margem que a mudança acontece&lt;/strong&gt;, é &lt;strong&gt;na margem que erguemos as nossas energias&lt;/strong&gt;, é &lt;strong&gt;na margem que questionamos a centralidade do mundo&lt;/strong&gt; ou, pelo menos, da nossa sociedade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Escrevo, escrevo porque sinto e porque vivo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Escrevo na expectativa de poder recordar, de poder mais tarde olhar para trás e voltar a ler-me. Escrevo porque os meus dedos assim o dizem para fazer, sem medos e sem vergonha. Neste momento de paz que encontro comigo mesma, com tudo o que faz parte da minha vida, e com tudo o que não faz parte, também. Sou um conjunto de partes, que se cruzam e partes que se estilhaçam no Universo. Sou parte de um todo, de mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sou eu, apenas eu.&lt;/strong&gt;
Sou eu, apenas o desejo.
Sou eu, apenas a vontade.
Sou eu, apenas a estadia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sou eu, apenas vida.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;PS: Este texto foi escrito no dia 16 de outubro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/duncan/50161823518/&quot;&gt;fear - duncan cumming&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/pelos-ceus-de-encontro-a-mim-mesma/&quot;&gt;Pelos céus... de encontro a mim mesma...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a October 22, 2024.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Reconduzir, ressignificar, repensar...]]></title>
        <published>2024-06-24T17:00:00+01:00</published>
        
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            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/reconduzir-ressignificar-repensar/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20240624-ressignificar.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sento-me.&lt;/strong&gt; Ajusto os phones nos ouvidos. Puxo o tabuleiro do teclado e abro um documento em branco. &lt;em&gt;Oiço a banda sonora que me acompanhou durante a execução e escrita do meu projeto final de curso&lt;/em&gt; – &lt;strong&gt;Projeto em Astronomia, intitulado Rádio-Interferometria – Simulação e Optimização&lt;/strong&gt;. Uma música de &lt;strong&gt;Ricardo Villalobos&lt;/strong&gt;, chamada &lt;strong&gt;Lugom-IX&lt;/strong&gt; – minimal techno. Não sei porquê, hoje deu-me para escrever a ouvir eletrónica. Não é muito habitual, mas por vezes acontece.&lt;em&gt;Vale a pena respirar e deixar-me levar pelos tons e pela melodia&lt;/em&gt;. Uma melodia que acompanha um fim de semana de 4 dias, depois de uma semana bastante pequena dado que na segunda também foi feriado. &lt;strong&gt;Marcada em geral por altos e baixos emocionais, felicidades e tristezas. No fundo, caminho e apenas, mais caminho.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Olho em meu redor, os pequenos dormem, dormem o seu “&lt;em&gt;profundo sono de gato&lt;/em&gt;”. Um sono profundo, mas sensível ao meu estar, sensível ao meu sentir e ao meu sorriso. Sorrio. Sorrio e olho para ambos. Cada um no seu lugar. Tenho a certeza que me sentem, tenho a certeza que sabem o meu lugar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No meu último texto, &lt;a href=&quot;/uma-parede-branca/&quot;&gt;“Uma parede branca…”&lt;/a&gt; escrevia:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Respiro fundo, preciso respirar fundo neste momento. As palavras começam a bloquear o meu pensamento e começo a ter dificuldade em escrever, mas continuo, vou continuar. Fecho os olhos e escrevo dessa maneira, sem medo, sem medo do que vai sair no teclado, confio nos meus dedos, confio na minha memória corporal.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Hoje estou noutro lugar, &lt;strong&gt;não quero fechar os olhos&lt;/strong&gt;, mas &lt;strong&gt;também não confio nos meus dedos&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Apenas respiro fundo&lt;/strong&gt;. Um respirar fundo que atenta com a minha tranquilidade, sinto-me tranquila, neste momento sinto-me tranquila. &lt;strong&gt;Apesar de tudo… tranquila.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A nossa sociedade (euro centrada) &lt;strong&gt;ensina-nos que devemos ser coerentes, produtivistas, capazes, implacáveis na nossa forma de estar no mundo&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Não temos espaço para o erro, para a dúvida, para o medo, para a incorência, para o mal estar&lt;/strong&gt;. Estas são coisas de quem não consegue, de quem não aguenta, de quem não tem capacidade emocional ou de quem não tem resposta para os desafios do dia a dia. A pressão a que nos sujeitamos é tremenda por tantas definições de uma sociedade que vive uma felicidade aparente, no topo de um conjunto de injustiças perpetradas de forma continuada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vivemos à custa de pensos rápidos sobre as nossas próprias emoções.&lt;/em&gt; Sem um trabalho de continuidade. Sem um trabalho de coletivização dos sentires. Não sou imune a este ponto, a dissonância que sinto entre o que acredito e aquilo que retiro do mundo deixa-me cansada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;E neste momento sinto cansaço.&lt;/strong&gt; Sinto cansaço do certo e do correto. Da segurança, do domínio e do controlo. &lt;strong&gt;Nem sempre faço o mais correto, nem sempre faço o mais certo. Nem sempre estou segura ou capaz de dominar os meus estados.&lt;/strong&gt; Faço e sinto. Sinto e faço. &lt;em&gt;E muitas vezes A não liga com B, mas B também não liga com A.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Estou cansada. Acima de tudo, estou muito cansada.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Escrevia, no mesmo artigo:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“São muitas dúvidas as que tenho por falta de referenciais.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Estou cansada de racionalizar o que sinto, de dar resposta a um sistema feito para manter o controlo, &lt;strong&gt;manter a eficiência laboral e para produzir para o capital&lt;/strong&gt;. Eu não quero ter de racionalizar constantemente, quero ser uma pessoa que vive as suas emoções e as suas contradições com o que têm de bom ou mau. &lt;strong&gt;Racionalizar foi a minha arma de combate durante anos&lt;/strong&gt;, criava-me uma distância segura onde me podia proteger. &lt;strong&gt;Hoje não quero essa distância, não quero essa barreira&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje quero sentir algo diferente, quero viver.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pego neste artigo, já passaram alguns dias. Não o consegui acabar no seu tempo, não o consegui publicar no seu tempo… não consegui. &lt;em&gt;Mas na mesma linha do que pensava há uma semana atrás, porque tenho de conseguir? Porque tenho de sempre conseguir? Ou, de aparentemente mostrar que consigo?&lt;/em&gt; É um lugar perigoso, esse, onde me coloco. &lt;strong&gt;É por isso que sinto que preciso de coletivizar mais os meus sentimentos e emoções, sentir e falar mais delas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não o faço muitas vezes por não me sentir compreendida, ou sentir-me minorada nos meus sentimentos. Sei que muitas vezes a dificuldade está do meu lado, mas sinto que preciso de espaços seguros de fala e deitar fora.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sinto que preciso ocupar tempo. Sinto que preciso ocupar espaço.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Sinto que preciso deitar fora muito lixo, de uma forma saudável, mas deitar fora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sinto que preciso de estar com experiências semelhantes.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Sinto que preciso de apenas de ser escutada…. pois sei, em parte, o que tenho de fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sinto e quero libertar. Não quero opiniões, quero libertar&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;
Sinto e quero chorar. Não quero instruções, quero chorar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque poder sentir e deixar-me sentir é das coisas mais maravilhosas que aprendi nos últimos anos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque sim, quero.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/jimchoate/51142959762/&quot;&gt;Abandoned Farmstead Mailbox 3182 C - Jim Choate&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/reconduzir-ressignificar-repensar/&quot;&gt;Reconduzir, ressignificar, repensar...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a June 24, 2024.&lt;/p&gt;
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        <id>https://www.danifbento.me/uma-parede-branca</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Uma parede branca...]]></title>
        <published>2024-04-13T13:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
            <uri>https://www.danifbento.me/</uri>
        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/uma-parede-branca/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20240413-paredebranca.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;Ligo o computador, sento-me na cadeira e olho em frente. Olho para a parede, ainda que tenha quadros e fotografias só consigo sentir a sua cor branca. &lt;strong&gt;Só vejo esse reflexo, talvez porque seja isso que sinto neste momento&lt;/strong&gt;, uma parede branca onde não consigo desenhar nenhuma emoção ou sentido de estar. Quero aproveitar esta energia, meio melancólica, meio que tranquila, meio que sorridente para escrever. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escrever sobre uma parede branca sem nada, apenas o frio branco de inverno que consome um mar gélido de inverno.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pergunto-me consecutivamente, o que estou eu a sentir agora? &lt;strong&gt;Não sei. A verdade é que não sei.&lt;/strong&gt; O reflexo branco é uma combinação de todas as cores, e talvez seja por isso que só consigo sentir branco. &lt;strong&gt;Sou atingida pelas emoções mais fortes de alegria, mas também as mais fortes de tristeza.&lt;/strong&gt; Estou eu alegre ou triste? Não sei. Ambas as emoções estão presentes de uma forma difusa. Muito difusa, porque se misturam com todas as outras emoções básicas do ser. &lt;em&gt;É assim, sentir-me uma parede branca&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porém, há uma coisa que sei: &lt;strong&gt;não estou em crise&lt;/strong&gt;. E posso sentir sem estar em crise. &lt;strong&gt;E talvez isso seja o mais importante de sentir-me uma parede branca.&lt;/strong&gt; É deixar-me e permitir-me sentir todo o espectro de emoções que existem e não questionar a minha saúde por estar feliz ou estar triste. Durante anos, esse foi um critério para gerir as emoções, não me permitia simplesmente vivê-las, porque significavam algo mais aterrador, mais provocador, mais mortífero… na realidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje é diferente.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje permito-me sentir em determinadas dimensões, permito-me viver. Permito-me ter emoções fortes simultâneas, permito-me não saber o que sinto. &lt;em&gt;Permito-me, sem destruir a minha vida e tudo o que me rodeia.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Comecei este artigo sem saber o que iria escrever, apenas por vontade de colocar umas palavras num texto, sem significado ou significante, apenas umas palavras. Só isso. &lt;em&gt;Agora sigo por um caminho diferente e toco na minha saúde, não consigo não tocar na minha saúde quando falo de emoções.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ter um problema de saúde que se relaciona com as emoções e com o humor é um exercício diário e contínuo e muitas vezes invisibilizado.&lt;/strong&gt; Sentir-me uma parede branca é permitir que até os sintomas das doenças sejam eles projetados, sejam eles questionados e colocados sob escrutínio. &lt;em&gt;Porém, refletem-se em paredes brancas, sem cor ou forma, sem desenho ou pintura… são invisíveis.&lt;/em&gt; Essa invisibilidade dá-me apertos no coração e dificulta-me a partilha, dificulta-me expressar. Acabam por ser estes textos, a forma que tenho de o fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Respiro fundo, preciso respirar fundo neste momento.&lt;/strong&gt; As palavras começam a bloquear o meu pensamento e começo a ter dificuldade em escrever, mas continuo, vou continuar. Fecho os olhos e escrevo dessa maneira, sem medo, sem medo do que vai sair no teclado, confio nos meus dedos, confio na minha memória corporal. &lt;strong&gt;O mesmo confiar na mecânica dos meus dedos, também me traz memórias corporais difíceis.&lt;/strong&gt; Memórias corporais que me acompanham uma vida e que preciso desfazer, por isso tão importante para mim o acesso ao meu corpo e ao que faço com ele (a minha autonomia e espontaneidade).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Durante anos, o fato de ter bipolaridade e borderline escondeu a minha relação com o meu género.&lt;/em&gt; Escondeu quem eu era, mascarando-me de uma masculinidade que não era minha, um lugar que não era o meu. O medo de não sentir amor e não me sentir amada estava muito presente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje é diferente.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje percorro outro caminho. &lt;em&gt;A minha relação com o meu género é agora livre, fluída e verdadeira.&lt;/em&gt; Encaixar-me na não-binariedade sem sair da mulheridade foi para mim um salto enorme na interpretação da minha vida e do que sentia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por outro lado, a minha relação com a sexualidade também era difícil e também de um bloqueio enorme.&lt;/strong&gt; A minha afirmação enquanto pessoa trans, desbloqueou a minha própria sexualidade e a forma como a sentia no meu dia a dia. &lt;em&gt;Deixou-me mais livre, deixou-me mais capaz e, acima de tudo, permitiu-me começar a reescrever partes da minha história de vida que estavam num profundo silêncio.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A parede branca para mim é simbólica. E irá continuar a ser.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Gostava de um dia, ter a liberdade de dar cores a esta parede, simboliza-la das emoções fortes de que se compõem, sem destruir nada… sem destruir a minha vida durante meses, sem destruir relações e responsabilidades. Sem deixar de ser eu. &lt;strong&gt;A radicalidade das emoções que compõem o meu dia a dia são, muitas vezes, avassaladoras.&lt;/strong&gt; Gasto, sem sombra de dúvida, muita energia para as conter, para que a parede não se desmorone com a sua força.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em artigos anteriores, como &lt;a href=&quot;/cansaco/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;/do-caos-a-organizacao-baixando-a-entropia/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;, referi como muitas das minhas crises foram de uma violência brutal contra mim mesma. &lt;strong&gt;Como eu passava de um pólo ao outro de uma forma rápida, quase instantânea, sem eu própria perceber porquê.&lt;/strong&gt; Hoje entendo. Porém, entender não cura, alivia, mas não cura. É por isso que a troca de experiências é tão importante para mim… como é que as pessoas que vivem com bipolaridade e borderline sentem? &lt;em&gt;Como são as suas emoções, como se expandem ou recolhem?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;São muitas dúvidas as que tenho por falta de referenciais.
Só conheço o meu próprio caso e pouco mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;É por isto que para mim escrever também é importante, partilhar, politizar as minhas emoções e dificuldades. Politizar quem eu sou na minha íntegra.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não me estou a sentir em fase de crise, mas sinto-me reflexiva em relação às minhas emoções, sinto que estou a tentar localizar-me algures no mundo. Num mundo onde as minhas emoções têm lugar expressivo, mesmo quando fortes. Num mundo onde falar de mim e do que verdadeiramente sinto, não seja relativizado à luz da normatividade e do espectro emoção-racionalização-fisicalidade normativo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje é diferente.&lt;/strong&gt;
&lt;strong&gt;Sei quem sou.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://www.flickr.com/photos/ffela/35067474314/&quot;&gt;Finish Line - Hans-Jörg Aleff&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/uma-parede-branca/&quot;&gt;Uma parede branca...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a April 13, 2024.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>https://www.danifbento.me/ano-2023-em-revisao</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Ano 2023, em revisão...]]></title>
        <published>2024-01-04T08:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
            <uri>https://www.danifbento.me/</uri>
        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;p&gt;Já estamos em 2024 e queria, antes de mais, &lt;strong&gt;felicitar-me pelas conquistas que consegui este ano&lt;/strong&gt;. Um ano de muitas mudanças, mas também de muitas conquistas. Mais difíceis ou mais fáceis, &lt;em&gt;o fato é que há mudanças muito significativas no meu dia a dia&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Este blogue ficou um pouco ao abandono em 2023, sendo que me foi difícil escrever artigos, não por falta de tempo, mas por falta de disponibilidade mental. Vou continuar o objetivo que tracei a ano passado: &lt;strong&gt;cuidar melhor este espaço e abrir as portas para novos tipos de conteúdo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda assim, queria deixar um resumo deste caminho que foi 2023.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O meu primeiro artigo foi só no &lt;strong&gt;Dia Internacional da Visibilidade Trans&lt;/strong&gt; e fala sobre a minha frustração em relação à promoção destes dias:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Apesar das muitas conversas, reuniões, marchas e atividades em geral, é sempre um dia que me deixa melancólica e com vontade de me recolher no meu espaço individual. É um dia que me faz trazer à memória o meu percurso e aquilo que tenho conseguido (e não) construir, mas também, aquilo que se tem conquistado (ou não), enquanto comunidade e coletividade.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Abril, escrevo &lt;em&gt;sobre como a minha loucura me tem moldado ao longo dos anos&lt;/em&gt; e, principalmente, no entendimento que tenho sobre mim mesma:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Num momento da minha vida em que me sinto bem, positivamente bem, estável, estruturada e capaz de gerir várias das minhas emoções de forma tranquila e de forma construtiva, procuro chegar a reflexões mais profundas sobre mim, sobre quem eu sou, sobre o caminho que quero percorrer.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Em Maio, volto a escrever &lt;em&gt;sobre a angústia e como sentia que potencialmente podia estar a regredir no meu processo&lt;/em&gt;:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Nem sempre é sobre andar para trás.” Não. Porque não estou a dar passos para trás, nem terei de fazer uma viragem de 180º neste caminho. Simplesmente não se trata de andar para trás nesta estrada. É, na realidade, a confrontação comigo própria, com o de mais impiedoso e traiçoeiro que há na minha racionalidade e emocionalidade. É o conflito entre as minhas emoções, vivências e memórias corporais que surgem ambíguas e ambivalentes. Procuro assim, neste momento, acreditar que estou numa posição em que o trajeto é para continuar, deixando fluir e permitir-me sentir todas estas sensações da forma mais clara possível para poder, com isso, saber pedir a ajuda necessária para atravessar este momento.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Por fim, em Outubro, escrevo &lt;em&gt;após a conferência da ILGA-Europe&lt;/em&gt; e como foi importante para mim:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Senti-me feliz com o apoio das pessoas que encontrei, nas felicitações, nas vontades de construir para a frente e não para trás. Para mim foi um passo importante, mas ainda preciso processá-lo, talvez por isto esteja a escrever isto num avião enquanto viajo de Belgrado para Lisboa com mais 3 horas de viagem pela frente.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Apesar de ter escrito pouco, este ano foi um ano de conquistas várias em campos diversos. Consegui, finalmente, &lt;strong&gt;acabar a minha licenciatura em Astronomia e Astrofísica&lt;/strong&gt;, passei a &lt;strong&gt;5º Kyu no Aikidô (cinturão amarelo)&lt;/strong&gt; e fui eleita &lt;strong&gt;presidenta da Associação ILGA Portugal&lt;/strong&gt;. A minha &lt;strong&gt;rede de apoio e afetos cresceu&lt;/strong&gt; e tornou-se mais estável. Estou &lt;strong&gt;mais disponível a sentir felicidade&lt;/strong&gt; sem sentir culpa associada. Estou &lt;strong&gt;mais disponível a sentir a presença&lt;/strong&gt; das pessoas na minha vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Desde este ponto, espero conseguir um 2024 com diferentes dinâmicas e libertar-me de correntes que às vezes coloco em mim mesma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Espero assim, um ano 2024 com muitos desafios, mudanças e reflexões sobre o futuro.&lt;/p&gt;

&lt;h3 id=&quot;artigos-de-2023&quot;&gt;Artigos de 2023:&lt;/h3&gt;
&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/porque-acreditar/&quot;&gt;Porque acreditar&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/nem-sempre-e-sobre-andar-para-tras/&quot;&gt;Nem sempre é sobre andar para trás&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/a-loucura-a-minha-loucura/&quot;&gt;A loucura, am minha loucura&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;a href=&quot;/mais-um-dia-visibilidade-trans/&quot;&gt;Mais um dia de Visibilidade Trans&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Feliz Ano 2024 e continuação de boas leituras,&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/ano-2023-em-revisao/&quot;&gt;Ano 2023, em revisão...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a January 04, 2024.&lt;/p&gt;
        </content>
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        <id>https://www.danifbento.me/porque-acreditar</id>
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        <title type="html"><![CDATA[Porque acreditar...]]></title>
        <published>2023-10-30T10:00:00+00:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
            <uri>https://www.danifbento.me/</uri>
        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/porque-acreditar/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20231030-acreditar.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;É outubro. &lt;strong&gt;É fim de outubro&lt;/strong&gt;. Tenho escrito pouco, muito pouco e manifestamente pouco neste sítio. No entanto muitas coisas têm acontecido no entretanto. &lt;strong&gt;Uma prova de que o mundo não para, não espera por nós. O mundo vive, o mundo segue o seu ciclo físico natural, independentemente de nós.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O mundo cicla, sobrevive e reconstrói-se a cada momento. Também nós nos reconstruimos a cada momento.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; E, agora, já não sou a mesma pessoa que escreveu “É outubro”, estou num lugar físico diferente (a algumas centenas de km/h de avião), estou num lugar temporal diferente e efetivamente estou num lugar emocional diferente na transversalidade de todas as áreas que me tocam no dia a dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estou a regressar da conferência da ILGA-Europe, na Eslovénia, Liubliana.&lt;/strong&gt; Foram quatro dias de muitas emoções, sentires e trabalho, mas também socializar – &lt;strong&gt;&lt;em&gt;criar rede, criar pontes e antever estratégias de luta.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Felizmente, também rever muitas pessoas que só encontro nestes contextos e não no meu dia  dia. &lt;strong&gt;Venho com o coração cheio&lt;/strong&gt; de ter contacto com um grupo de pessoas que luta, procura soluções, critíca o sistema e cria diariamente oportunidades para outras pessoas, que as autonomiza e que as empodera. &lt;em&gt;Se há coisas que podem melhorar? Claro, sempre.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Este foi o primeiro momento internacional enquanto presidenta da Associação ILGA Portugal&lt;/strong&gt;, tendo sido eleita no sábado 21 de Outubro a lista que encabecei. Confesso que ainda não estou nada habituada a tratarem-me como presidenta. É um momento, mas também o que contará para mim serão as ações que nos propomos a fazer e não o título per si. &lt;em&gt;Senti-me feliz com o apoio das pessoas que encontrei, nas felicitações, nas vontades de construir para a frente e não para trás. Para mim foi um passo importante, mas ainda preciso processá-lo, talvez por isto esteja a escrever isto num avião enquanto viajo de Belgrado para Lisboa com mais 3 horas de viagem pela frente.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Parece que &lt;strong&gt;estou a inverter o tempo e caminho para trás…&lt;/strong&gt; estou a contrariar o ciclo do tempo. Faço-o porque me relembro e revivo. Procuro. Procuro uma razão em mim para estar e existir.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Este momento?&lt;br /&gt;
E porque para mim é importante?&lt;br /&gt;
E porque para mim é tão significativo?&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É, porque nunca acreditei.&lt;/strong&gt; E ainda continuo a ter, muitas vezes, a incapacidade de acreditar. Construí-me através de vários processos mais ou menos complicados, mais ou menos complexos, mais ou menos difíceis. Mas construí-me. Se com 18 anos não acreditava que era capaz de ter uma vida relativamente independente, aos 24 não acreditava que podia ser quem eu quisesse ser, aos 27 não acreditava que era possível construir-me de um outro lugar, aos 30 não acreditava que podia vir a ter um trabalho e habitação estável, aos 36 não acreditava que alguma vez podia estar no papel de presidenta de uma associação como esta.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;O meu problema sempre foi&lt;br /&gt;
 … não acreditar.&lt;br /&gt;
 … não me permitir.&lt;br /&gt;
 … não me libertar daquilo que eu própria defendo.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Hoje estou diferente, não que esses pensamentos já não me dominem, mas estou diferente. &lt;strong&gt;Estou mais segura, mais responsável com a minha saúde e bem estar, mais comprometida com os meus próprios objetivos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje estou diferente por mim, estou crente por mim e estou feliz por mim.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mas hoje também estou diferente por todas as maravilhosas pesssoas que me rodeiam com quem tenho contado com o apoio incondicional, com espaços de fala, de discussão, de riso, de silêncio, de estar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque hoje sinto, que acreditando mais em mim… eu vivo e não apenas sobrevivo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://flickr.com/photos/bhaveshkothari/4542299225/&quot;&gt;Believe… - @BK&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/porque-acreditar/&quot;&gt;Porque acreditar...&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a October 30, 2023.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[Nem sempre é sobre andar para trás.]]></title>
        <published>2023-05-23T15:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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        </author>
        <content type="html">
            
            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/nem-sempre-e-sobre-andar-para-tras/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20230523-espiral.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Nem sempre é sobre andar para trás.”&lt;/strong&gt; Nos últimos dias tenho-me dito imensas vezes esta frase. No último artigo (&lt;a href=&quot;/a-loucura-a-minha-loucura/&quot;&gt;A loucura, a minha loucura&lt;/a&gt;) falava sobre a loucura, do modo como &lt;em&gt;me apropriei desta palavra&lt;/em&gt; para descrever certos estados em que encontrei imensas vezes. &lt;em&gt;Referi também o medo que se me entranha ao estar num período de bem estar.&lt;/em&gt; Com estes momentos vem também a vontade de &lt;strong&gt;ir mais longe no meu auto-conhecimento, mais profundo e a recordar momentos mais difíceis&lt;/strong&gt;. É parte do meu processo chegar a esses momentos e conseguir assegurar que irei &lt;strong&gt;viver com eles da melhor forma possível&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sou invadida pela angústia, pelo medo, pela falta de força para viver e estar no mundo.&lt;/em&gt; Depressa revejo-me em determinadas épocas da minha vida e isso reforça ainda mais a minha angústia e medo. Entro num &lt;strong&gt;ciclo perverso&lt;/strong&gt;, um circuito que não me deixa sair, entro numa espiral &lt;strong&gt;em queda para o fundo dos meus pensamentos mais intoleráveis&lt;/strong&gt;. A luta torna-se imperativa e sair desta estrada torna-se um desafio de outro mundo. É uma estrada sem fim. &lt;em&gt;A  batalha é, neste momento, comigo mesma.&lt;/em&gt; Sem fatores externos que me deixem particularmente vulnerável, é neste momento, a minha vulnerabilidade que entra neste processo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Nem sempre é sobre andar para trás.”&lt;/strong&gt; Não. Porque não estou a dar passos para trás, nem terei de fazer uma viragem de 180º neste caminho. Simplesmente &lt;em&gt;não se trata de andar para trás&lt;/em&gt; nesta estrada. É, &lt;em&gt;na realidade, a confrontação comigo própria&lt;/em&gt;, com o de mais impiedoso e traiçoeiro que há na minha racionalidade e emocionalidade. É o &lt;em&gt;conflito entre as minhas emoções, vivências e memórias corporais&lt;/em&gt; que surgem ambíguas e ambivalentes. Procuro assim, neste momento, &lt;em&gt;acreditar que estou numa posição em que o trajeto é para continuar&lt;/em&gt;, deixando fluir e permitir-me sentir todas estas sensações da forma mais clara possível para poder, com isso, saber pedir a ajuda necessária para atravessar este momento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Confesso que não tem sido fácil, nada fácil. Nesta última semana fui a duas sessões de curtas metragens no Festival Mental, em Lisboa, e foi positivo para mim ver e ouvir testemunhos de pessoas com sentires e percursos parecidos com os meus. Sentir-me não sozinha neste mundo, não incapaz e não menos. Reconhecia em cada palavra e em cada imagem o seu significado, a sua repercussão na vida do dia a dia, nos ciclos, nas barreiras e fantasmas contínuos. Naquilo que é um sentir-me numa zona de medo, numa zona de solidão e vivências transversais a muitas pessoas, infelizmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Gostaria de poder dizer que este processo é linear, mas não o é.&lt;/strong&gt; Dá-se muitas curvas, dá-se muitos saltos, contorna-se muitos obstáculos e por vezes vai-se contra eles, esmagando-os com custos para ambas as partes. &lt;strong&gt;Este curso é sinuoso e não faz mal admitir que o é.&lt;/strong&gt; Por vezes esqueço-me disso e nego-me essa realidade. Quero dizer, entender-me na loucura é também perceber-me como um agente desconexo da minha própria realidade, sem nunca a deixar. &lt;em&gt;Não são simplesmente estados de felicidade e/ou tristeza.&lt;/em&gt; São estados de uma &lt;em&gt;felicidade eufórica e destrutiva&lt;/em&gt;, de um temperamento vil para comigo mesma, de um arrasamento emocional e da saída do concreto. São estados de uma &lt;em&gt;tristeza profunda e infinita&lt;/em&gt;, de um cansaço acima do esgotamento, do derrame energético e da saída do presente. Ou por vezes, uma &lt;em&gt;mistura de ambos&lt;/em&gt; os estados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As flutuações que tenho hoje em dia já não se comparam às que tinha há 10 ou 15 anos, mas mesmo com o acompanhamento adequado que tenho, podem acontecer com mais ou menos intensidade. &lt;strong&gt;Ser consciente das minhas limitações nestes períodos é aprender a amar-me mais.&lt;/strong&gt; Ser tolerante para comigo própria, ser amiga de mim mesma. Entender que não vou ter tanta energia emocional, que não vou conseguir socializar da mesma maneira, que me vou cansar fisicamente mais rápido, que vou ter um raciocínio adulterado pelos meus próprios vícios. &lt;em&gt;No fundo, vou estar um pouco diferente sem deixar de ser a mesma pessoa.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não há cura para doença Bipolar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;nem mudanças definitivas que me façam escapar à Perturbação de Personalidade Borderline&lt;/em&gt;, porém há caminho que posso fazer. Interior e exterior. &lt;strong&gt;Posso aprender, acima de tudo… posso aprender.&lt;/strong&gt; Posso escutar-me, posso empatizar comigo e compreender-me. &lt;strong&gt;Nada disto é uma tábua de salvação&lt;/strong&gt;, mas é a forma mais segura que tenho de viver comigo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque no meio da guerra emocional em que estou, eu vivo e existo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://flickr.com/photos/lesnostresfotos/4566994583&quot;&gt;espiral - Enric Vidal i Famadas&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/nem-sempre-e-sobre-andar-para-tras/&quot;&gt;Nem sempre é sobre andar para trás.&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a May 23, 2023.&lt;/p&gt;
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        <title type="html"><![CDATA[A loucura, a minha loucura]]></title>
        <published>2023-04-17T10:00:00+01:00</published>
        
        <author>
            <name>Daniela Filipe Bento</name>
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            &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/a-loucura-a-minha-loucura/&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://static.danifbento.me/images/posts/20230417-loucura.webp" />&lt;/a&gt;
            
            &lt;p&gt;A loucura, a minha loucura. Este pareceu-me um bom título para um artigo. Não tenho a certeza se será o título final, mas &lt;em&gt;era na loucura que reflectia há umas horas no meu diário&lt;/em&gt; (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/diarios/&quot;&gt;Diários&lt;/a&gt;). Num momento da minha vida em que &lt;strong&gt;me sinto bem, positivamente bem, estável, estruturada e capaz de gerir várias das minhas emoções de forma tranquila e de forma construtiva&lt;/strong&gt;, procuro chegar a reflexões mais profundas sobre mim, sobre quem eu sou, sobre o caminho que quero percorrer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em muitos artigos anteriores &lt;strong&gt;escrevi de forma ativa sobre os meus estados emocionais ao longo de processos internos difíceis&lt;/strong&gt; e que me obrigavam a permear-me entre emoções e sentimentos difíceis, pesados e cruéis. &lt;strong&gt;Não nego que, estando neste período de bem estar, o medo está aí.&lt;/strong&gt; O medo de ver novamente a minha saúde sabotar a minha vivência (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/quando-a-saude-sabota-a-minha-felicidade/&quot;&gt;Quando a saúde sabota a minha felicidade&lt;/a&gt;), quando acordar pela manhã e a depressão estiver aí (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/acordo-pela-manha/&quot;&gt;Acordo pela manhã…&lt;/a&gt;) e o mundo parar (&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/quando-a-apatia-te-rouba-o-prazer/&quot;&gt;Quando a apatia te rouba o prazer…&lt;/a&gt;). Por isso resta-me, &lt;em&gt;de forma ativa, cuidar dos meus estares&lt;/em&gt;, escutar o meu corpo e compreender o meu lugar do aqui e do agora – não sou a mesma pessoa que ontem, nem que há um ano, dois ou 10 anos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje escrevia e pensava sobre a loucura.&lt;/em&gt; Sobre a minha loucura. Sobre como habitei e habito esse lugar, de uma forma mais ou menos intensa e mais ou menos descontextualizada de uma realidade considerada válida. &lt;strong&gt;Durante muitos anos esse era um lugar de choque para mim, onde as minhas vivências deixavam de fazer sentido, onde o meu mundo passava a ser outro e onde a minha realidade era outra.&lt;/strong&gt; Entender-me na loucura foi um processo de procura interna, de perceber e reclamar esta palavra para mim, para a minha subjetividade e para equacionar e entender cada momento da minha vida. &lt;em&gt;Penso e volto a pensar, é a loucura também identitária? É a loucura também parte do meu eu como todas as minhas outras identidades? Em que lugar habita no meu corpo? Qual a linha que separa a minha loucura da minha vivência? São questões que ainda não tenho respostas, nem sei se as vou ter em tempo útil.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Lembro e relembro esses momentos de forma clara. As memórias (também corporais) não se perderam e continuam conectadas comigo e com a minha história. &lt;strong&gt;Durante muitos momentos na minha vida, não acreditei que fosse capaz de sair de tais estados, não acreditei que era possível sentir uma felicidade pacífica e rica em momentos positivos.&lt;/strong&gt; Não acreditei que era possível refazer as minhas memórias corporais e psíquicas. &lt;strong&gt;Porém, em momentos como estou agora, sinto que a minha subjetividade permitiu-me fazê-lo.&lt;/strong&gt; Permitiu-me chegar a lugares onde sentia que não tinha possibilidade de chegar, permitiu-me ser quem sou hoje. &lt;em&gt;Permitiu-me ser eu.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Poderia escrever sobre estes momentos, sobre estes estados, sobre o que sentia e o que vivia. &lt;em&gt;Poderia ser descritiva. Poderia ser explicativa. Poderia ser concreta. Mas é mesmo necessário?&lt;/em&gt; Reviver estes processos é também um momento de intimidade com a minha mente, com os seus momentos mais horrorosos, mas também os seus momentos mais caóticos e transformadores. Por quanto, quero preservar essa intimidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não vou nem irei esquecer.&lt;/strong&gt; Mas acima de tudo, faz-me acreditar que posso viver e posso estar em paz com consciência da minha loucura, da minha subjectiva loucura. &lt;em&gt;As memórias farão sempre parte da minha existência, no entanto, sei o lugar que ocupam, sei de onde vêm e como vêm.&lt;/em&gt; Não domino o meu sub-consciente, porém, posso conscientemente cuidar da minha felicidade e dos meus estados de estabilidade. Posso conscientemente cuidar das minhas emoções, recebê-las e vivê-las como devem ser vividas, sem medo, sem rejeitamento, sem tabu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sentir-me bem, positivamente bem, estável e estruturada não é não sentir tristeza, não é não querer chorar, não é não sentir dificuldades. É sim, a tristeza, o chorar, as dificuldades, as facilidades, o riso e a alegria.&lt;/em&gt; É poder viver o espetro das emoções de forma completa, entendendo que fazem parte das nossas vivências e dos nossos momentos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda que o medo ocupe um lugar no meu pensamento e no meu sub-consciente, quero viver o que estou a viver agora, de forma honesta comigo e com quem eu sou. &lt;strong&gt;Porque, se há uns anos a minha loucura era um alvo preferido da minha racionalidade, hoje em dia, é a minha emocionalidade que conduz quem eu sou.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dani&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;https://flickr.com/photos/135366503@N05/26724628335&quot;&gt;the lightning and the moon - CLAUDIA DEA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

            &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/a-loucura-a-minha-loucura/&quot;&gt;A loucura, a minha loucura&lt;/a&gt; foi publicado por Daniela Filipe Bento em &lt;a href=&quot;https://www.danifbento.me/&quot;&gt;daniela filipe bento's website&lt;/a&gt; a April 17, 2023.&lt;/p&gt;
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